Reconhecido como o ''pai do plantio direto'', o agricultor Herbert Bartz, de Rolândia, foi homenageado durante o 11º Congresso Brasileiro do Agronegócio. Na última semana, Bartz recebeu o prêmio Destaque em Tecnologia ''Norman Borlaug'' por seu trabalho pioneiro com o sistema que reduz a interferência no solo. O nome do prêmio é referência ao primeiro Nobel da Paz concedido para um trabalho na área da agricultura, o pai da Revolução Verde, ocorrida na década de 1960.
Durante a homenagem, Bartz foi comparado a um apóstolo da revolução vivenciada pela agricultura brasileira, obtida com a superação do risco de erosão resultante do uso do plantio direto. Para Luiz Antonio Pinazza, diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Bartz foi um grande empreendedor por conseguir introduzir essa tecnologia no Brasil, pois usou recursos próprios para pesquisar a tecnologia no exterior e disseminá-la pelo País. ''A inovação trazida por ele beneficiou toda a agricultura brasileira e a contribuição não foi apenas como agricultor, mas como cidadão''. Pinazza espera que o reconhecimento torne Bartz uma referência na busca pela sustentabilidade.
A trajetória de vida e de pioneirismo de Bartz foi relatada durante a cerimônia. Quando jovem, a família migrou da Alemanha e se instalou em Rolândia, onde vivia com base na agricultura de subsistência. Mas, no início, enfrentavam graves problemas de erosão, que chegavam a arrasar safras inteiras. Em 1972 Bartz viajou para os Estados Unidos e Europa buscando uma tecnologia que desse fim ao problema. Voltou para o Brasil ainda na década de 1970 e começou a implantar o plantio direto em sua propriedade. Em 1976, ao mesmo tempo em que fazia adaptações para aprimorar o sistema, deu início à divulgação da técnica pelo País. Bartz tornou-se, então, um pregador do plantio direto pelo Brasil, mostrando a tecnologia de proteção do solo aos agricultores.
''A grande coisa que o plantio direto me trouxe foi o clube de amigos com mentes brilhantes'', comemora Bartz. O produtor conta que, na época, reformou uma plantadeira antiga do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e fez adaptações para utilizá-la para o plantio direto. Segundo Bartz, o equipamento foi levado para o Paraguai como parte do trabalho de divulgação da tecnologia e acabou ficando no País vizinho a pedido dos agricultores. ''Era uma questão de sobrevivência, porque a erosão era muito agressiva. Em Ponta Grossa e Mauá da Serra os produtores estavam sendo forçados a abandonar a atividade e o plantio direto foi a salvação'', lembra.
Na visão de Bartz, a agricultura convencional violenta a terra para que ela forneça o máximo de matéria orgânica para o rendimento da lavoura. Contra essa tendência, o agricultor adotou o plantio direto que sequestra carbono e mantém no solo como matéria orgânica, enriquecendo a terra. ''O que contribuiu para a disseminação da técnica no Brasil foi a biodiversidade mental do brasileiro. O grande milagre é que o conceito se desenvolveu apesar de não ter apoio político. Minha esperança como agricultor é de que algum dia a ética do plantio direto de respeito ao meio ambiente consiga atingir o mundo político'', comenta.

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