A campanha de vacina contra a aftosa no Paraná está completando hoje 10 dias, metade do prazo. Até a quinta-feira o ritmo da vacinação estava dentro da expectativa dos organizadores, conforme informou o diretor do Departamento de Fiscalização (Defis) da Seab, o médico-veterinário Felisberto Batista.
Quando do lançamento da campanha, na semana passada, a Folha Rural constatou que os produtores se preocupam com o que chamam de reação à vacina. Na campanha anterior, no ano passado, os hematomas que apareceram no local da vacina em grande número de animais foram motivo de reclamação, mas não chegaram a merecer a atenção do Sindicato da Indústria (Sindam) nem do Ministério da Agricultura, porque não houve denúncia formal. Além disso, os técnicos consideram normal o que vinha ocorrendo.
No entanto, nas últimas vacinações a ''reação'' ocorreu acima do que os fazendeiros consideram normal.
O médico-veterinário e pecuarista Edson P. Gaudêncio, de Santo Antônio da Platina, cria gado nelore, anelorado e limousin puro. Conta que desde garoto conviveu num ambiente em que sempre se prezou muito a sanidade animal. O pai foi pioneiro na vacinação em Mato Grosso. Como médico-veteriário, Edson Gaudêncio passou a preocupar-se ainda mais com a sanidade. Na sua fazenda, ele faz as vacinas regularmente e, por precaução, revacina gado que compra.
''No entanto - diz - com relação aos hematomas da vacina, hoje, tenho mais dúvida do que explicação. De alguns anos para cá, não sei o porquê, mas a reação vacinal tem sido muito forte. Não mudei o meu manejo e, no entanto, começaram a aparecer abscessos. Tenho feito desinfecção a cada 10 animais, trocado as agulhas e, no entanto, não achei um desinfetante eficiente para que esses problemas não ocorressem''.
Ele admite que, em alguns casos, ocorram falhas na aplicação. Mas a quantidade de hematomas no ano passado não justifica, não pode ser problema na aplicação.
''Eu tenho perdido dinheiro com essa reação vacinal. Sou fornecedor do Carrefour - explica - e os supermercados penalizam o animal que apresente abscesso causado por vacina. Levei meus funcionários para fazerem curso com o pessoal do Carrefour e, mesmo assim, continua a resistência aos abscessos. Às vezes, os clientes conhecem a propriedade, as condições em que o gado é tratado, mas ninguém gosta do animal que apresente essas reações à vacina, conta o pecuarista.
Para este ano, Edson P. Gaudêncio pretende fazer algumas mudanças no manejo, mas se considera cético com relação a essas contaminações. (A entrevista foi dada quando do lançamento da vacinação, em Londrina, na semana passada).
''Tenho ouvido falar muita coisa, uma é que o veículo oleoso é que é muito traumático; a outra hipótese é que eles colocam muitos adjuvantes. Mas tecnicamente ainda não tenho dados para apontar se é a vacina ou se é o veículo'' - disse.

mockup