A demanda mundial, os bons preços de mercado e o crescimento econômico dos países emergentes, apontam um cenário promissor para a soja. O Brasil tem a chance de tornar-se o maior fornecedor mundial. Potencial tecnológico, áreas para ampliar cultivo, produção e produtividade colocam o País numa condição privilegiada.
Segundo o pesquisador Antônio José Roessing, da Embrapa Soja, é difícil prever que outro produto tire a atual hegemonia da soja no mundo e o Brasil, por ser competivo em produção, tem ainda muito a ofertar no mercado internacional considerando áreas ainda não exploradas.
Toda a atenção voltada para a soja é mais uma das justificativas para que a partir amanhã cientistas, pesquisadores, técnicos e produtores estejam discutindo, no Brasil, temas ligados à oleaginosa, que vão desde o uso na alimentação humana, passando por estudos de novas cultivares, até chegar ao aspecto econômico.
A abertura da 7 Conferência Mundial de Pesquisa de Soja, a 4 Conferência Internacional de Processamento e Utilização de Soja e o 3º Congresso Brasileiro de Soja, eventos que acontecem simultaneamente até o dia 5 de março no Centro de Convenções do Hotel Bourbon, será realizada amanhã com a presença
de cientistas e autoridades.
O evento contará com 200 palestras, mais de 1,5 mil participantes, 700 trabalhos científicos. A programação inclui quatro plenárias, seguidas de nove simpósios simultâneos com 60 apresentações. A organização do evento está a cargo da Embrapa Soja, de Londrina.
Num momento em que cientistas, pesquisadores, técnicos, produtores e outros atores da cadeia produtiva da soja se reúnem para discutir sobre a oleaginosa, não há mais dúvidas de que por muito tempo a soja deve permanecer com demanda firme no mundo, considera Roessing. ''Tão cedo não haverá produto protéico semelhante.''
Atualmente, segundo o pesquisador, existem apenas duas possibilidades de substituir a hegemonia da soja no mundo. Uma delas seria apostar no cultivo de outra oleaginosa e a outra alternativa seria a sintetização da proteína contida na soja.
Para Roessing nenhuma das alternativas é viável economicamente. Uma das principais funções da soja, na forma de farelo, é compor ração para alimentação animal e, em certas proteínas, ela é imbatível. A sintetização é um caminho longo e mais caro.
Pensando em demanda mundial, o Brasil tem condições de ampliar, e muito, o cultivo da soja. No entanto, o pesquisador alerta que isto deve ser feito de forma responsável.
A produção deve ser autosustentável, com respeito ao meio ambiente. Para Roessing é preciso evitar o plantio desenfreado, sem preocupação com o futuro, caso de muitas áreas que já foram implantadas no Brasil, fato que pode afetar toda a biodiversidade do ambiente.

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