Há vagas para moças
Curitiba - Só na década de 1980, abriu a oportunidade para meninas ingressarem nas escolas agrícolas do Paraná. Aumentou bastante a presença feminina nestes estabelecimentos de ensino, embora alojamento para moças só seja oferecido em seis dos 18 colégios. A possibilidade de ser uma interna, para quem mora distante e até em outras regiões, é a única oportunidade de ter acesso a educação.
Por isso, segundo o Departamento de Cursos Profissionalizantes, uma das prioridades é aumentar o número de vagas em alojamentos para este perfil de candidatas. O CEEP da Lapa é um das instituições de ensino que abriga moças, oferecendo ainda os serviços de refeitório, acompanhamento e lavanderia. Um grupo de alunas que cursa o 2º ano do ensino integrado reflete bem a convivência harmoniosa e saudável proporcionada pelo dia-a-dia na escola.
Além de manter a limpeza do quarto e cumprir os horários estipulados para acordar (6h45) e dormir (até às 22h), resta as colegas se dedicarem aos estudos. ''O Ensino Médio é bem mais difícil do que as disciplinas técnicas, porque praticamos e aprendemos mais fácil. Resolver contas não é tão bom assim'', compara a curitibana Karyn Afonso, de 17 anos, há dois estudando na Lapa. ''Fazemos muitas provas e, às vezes, se torna cansativo. Mas compensa quando penso que vou sair daqui com uma profissão encaminhada'', disse a moça.
À noite, as meninas ainda participam de oficinas de artesanato, aulas de dança, informática, praticam esportes ou, simplesmente, assistem à TV. De acordo com o regimento, é proibido o namoro entre os internos.''Logo quando a gente chega aqui é complicado seguir as regras, ter horário para tudo e ter disciplina. Mas depois passamos a estranhar a rotina de casa. É questão de costume porque o ensino é bom'', pondera Laís Furman, de 15 anos, natural de Contenda.
Nas aulas técnicas, as garotas sabem no que se destacam em relação aos rapazes. ''Temos delicadeza. A gente não judia dos animais quando vai fazer partos'', destaca Karyn. Para o diretor do CEEP Lysimaco Ferreira da Costa, Newton Marques, hoje, o mercado reconhece o potencial femino no setor. ''Muitas empresas solicitam técnicas porque elas têm facilidade e habilidade para certas funções da profissão, como a ordenha e lidar com a reprodução na suinocultura'', destaca ele. (F.G.)





