O produtor de café Yassumassa Asami tem 61 anos, a idade da Folha de Londrina. É ele mesmo quem faz questão de ressaltar a coincidência. Nascido na pequena Mirandópolis, interior paulista, veio para o Paraná ainda bebê, direto para o município de Floraí (44 km a noroeste de Maringá). Viveu a infância, a adolescência e parte da vida adulta ali, na área rural. Fez apenas o primário - hoje os primeiros anos do ensino fundamental - e teve a chance de começar de pequeno a ler jornal.

É que a propriedade da família, conta Asami, era vizinha de uma cafeeira. Os proprietários do local eram italianos, que assinavam a FOLHA. ''Eu e meus irmãos íamos até a cafeeira todos os dias, a gente cuidava do nono, que era cego. Então, a gente lia o jornal para ele, era uma diversão'', rememora o agricultor, destacando que na época, junto com o rádio, esse era o meio de comunicação da comunidade.

Quando o jovem Asami completou 18 anos, seu pai chegou e lhe disse que pelo fato dele não ter muito estudo, precisava de algo que lhe oferecesse mais conhecimento, mais informações sobre o mundo. Então, resolveu presenteá-lo com uma assinatura da FOLHA. O senhor deve ter ficado feliz da vida?, pergunta a repórter. ''Não. Na verdade, eu tinha uma bicicletinha velha e queria que meu pai tivesse me dado uma nova'', relembra Asami, às gargalhadas. E o pai lhe deu a FOLHA e uma bicleta nova, então? ''Não, me deu apenas a assinatura do jornal'', conta o agricultor, 'conformado' e consciente de que o jornal foi uma das ferramentas mais importantes para impulsionar sua vida pessoal e seus negócios.

Desde então, o agricultor lê o jornal todos os dias. ''Mesmo quando atrasava - porque a gente morava no sítio e, às vezes, o jornal só chegava no dia seguinte - eu lia tudo'', afirma. Poucos anos depois, em 1969, além do jornal diário, Asami e todos os outros agricultores do Estado e demais pessoas envolvidas com o agronegócio ''ganharam'' a Folha Rural, suplemento semanal que nasceu para mostrar tudo o acontece no campo e para o campo. Foi mais uma ferramenta que caiu nas mãos de Asami para ajudá-lo a fazer escolhas e a tomar decisões, principalmente quando o assunto era sua produção de café.

Agricultor e Folha de Londrina vivem, desde meados da década de 1960, uma relação de cumplicidade. Quando se mudou de Floraí para Marialva, pertinho de Maringá também, Asami tratou logo de fazer a transferência da assinatura para a nova residência. ''Já tinha se tornado hábito, era muito importante, não podia - não posso - ficar sem ler o jornal'', confessa, reforçando que fora o rádio, a FOLHA era o único meio de comunicação no local.

Dos anos de 1960 até agora, Asami se interessa pelas mesmas coisas no jornal: tudo! De notícias sobre política e economia a novidades culturais e esportivas, ele gosta de ler tudo. A Folha Rural, entretanto, tem um peso maior nessa relação carinhosa que Asami mantém com o jornal. ''A Rural sempre foi fundamental para nos manter informados sobre cooperativismo, leis ambientais, exposições agropecuárias, novidades em produções agrícolas, tecnologia relacionadas à área, lançamentos de produtos, entre tantas coisas'', descreve o produtor de café, que passou a recortar algumas reportagens e arquivá-las em casa quando o assunto lhe interessava muito.

Além disso, desde o lançamento da Folha Rural até hoje, Asami costuma visitar algumas propriedades apresentadas em matérias, quando se trata de um novo produto agrícola ou da aplicação de uma nova tecnologia. ''Acho interessante que vocês divulguem o que acontece no meio rural do Paraná. Quando alguma coisa me interessa muito, guardo o jornal e quando dá um tempinho vou conhecer a propriedade que saiu na reportagem e conversar com o produtor'', diz.

O hábito de guardar algumas reportagens ainda se mantém. Semana passada mesmo, frisa o agricultor, foi a um evento em Curitiba - com a presença do Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes - cujas discussões foram contadas em matéria do caderno de economia da FOLHA e eram tão importantes para Asami, que ele guardou a matéria assim que retornou de viagem. ''Já guardei muitas Folhas Rurais inteiras, todas elas são especiais'', elogia.

O agricultor também já foi assunto de reportagens. O amor que sempre dedicou à sua produção de café - e o conhecimento adquirido por meios de informações como a FOLHA - já lhe renderam alguns prêmios. Dono da produção de um café especial, com manejo diferenciado, em 2007 Asami ficou em primeiro lugar na etapa estadual do concurso Café Qualidade Paraná e em segundo no nacional. No ano passado, ficou em terceiro no estadual e, este ano, em segundo lugar do Estado.

Todo orgulhoso, ele diz que cuida bem dos 20 hectares onde tem plantados pés de café, cultura que sempre fez parte de sua vida. ''Posso dizer que nasci debaixo de um pé de café'', brinca. A FOLHA também sempre fez parte da sua história e, pelo jeito, a relação madura vai perdurar ainda muitos anos. Por falar nisso, Asami, o senhor conseguiu trocar a bicicletinha velha, aquela da década de 1960, por uma nova? Muitas gargalhadas depois: ''Consegui, sim. Troquei de bicicleta, acho que meu pai deu o presente certo na época'', risos...

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