Há 25 anos mudava a cafeicultura
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sexta-feira, 14 de julho de 2000
Jota Oliveira De Londrina 
A monocultura cafeeira cedeu espaço à soja e ao trigo, que dividiram a área cultivada com o milho, depois a cana-de-açúcar, até os laranjais do Norte e Noroeste. Surgia uma agricultura diversificada, mas hoje a soja é o principal e o café é o segundo produto nacional de exportação. No dia 18 fazem 25 anos que a geada negra de julho de 75 atingiu as principais regiões cafeeiras do País.
Em 1974 o Paraná tinha 1.158.270 hectares de cafeeiros; em 75 o parque cafeeiro estadual baixara para 1.050.033 ha; ocorreu a geada e em 76 restavam 749.709 ha, nenhum em produção, pois os cafeeiros que não morreram tinham sido recepados para rebrotar.
ProduçãoO engenheiro-agrônomo Francisco Barbosa, reponsável pelo Fundo Nacional de Defesa da Cafeicultura (Funcafé) no Norte do Paraná, lembra que na safra de 74 o Paraná produzira 11,7 milhões de sacas de café; em 75 colheu 11,7 milhões de sacas e em 76 não produziu nada. O Brasil, em 74, produzira 28,7 milhões de sacas; em 75 produziu 22,2 milhões e em 76 colheu apenas 6 milhões de sacas.
No final do ano passado o Paraná tinha 145 mil ha em produção. Hoje tem cerca de 400 milhões de pés e beira 200 mil ha ou 298 milhões de cafeeiros em produção. Este parque cafeeiro, pequeno em relação a 1975, estava sujeito a geadas fortes neste fim de semana. Há 25 anos o Instituto agronômico do Paraná registrou 3,5 graus negativos no abrigo, em Londrina e nesta semana registrou, quinta-feira, - 0,2 negativos no abrigo e 5,7 graus negativos na relva.
As primeiras informações chegadas a Londrina, quinta de manhã, eram de que a geada de quinta-feira queimara cafeeiros no Vale do Ivaí (região de Ivaiporã) e no Noroeste (região de Umuarama), porém não se podia ainda dimensionar a extensão dos efeitos do frio. Esses efeitos seriam mais visíveis à tarde, após o fechamento desta edição da Folha Rural.
No entanto, como a safra cafeeira do Paraná está atrasada devido à seca, existem muitos grãos maduros ainda nos pés, e eles poderiam ser prejudicados já nesta safra, pela quebra física ou de qualidade. No meio da semana havia possibilidade de geada tão extensa como a ocorrida em 18 de julho de 75, com probabilidade do fenômeno ocorrer em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.
Novo modeloO Iapar lembra que depois da introdução da soja no Brasil, por volta de 1970, e da geada de julho de 1975, acelerou-se a erradicação das lavouras de café nas grandes propriedades, que foram substituídas principalmente por atividades de pecuária e culturas anuais. Nestas, a pesquisa destaca o sistema de rotação soja-trigo .
A falta de incentivos à renovação do parque cafeeiro paranaense, justificada pelos riscos de perda por geadas, e crise econômica da década de 80, foram fatores que contribuiram para que essa tendência de erradicação dos cafezais permaneça até hoje.
De 1970 a 1990, ainda segundo o Iapar, a área cafeeira paranaense sofreu redução de 60%, fazendo com que o Estado passasse de primeiro a quarto produtor nacional. Os pesquisadores observam que o café continua a ser uma das culturas mais importantes do Estado, e que desempenha um papel muito importante do ponto de vista social, gerando muitos empregos e constituindo uma das melhores opções de exploração para os pequenos produtores.
Para melhorar o quadro criado pela geada de 75 e pela introdução da soja, o programa de pesquisas cafeeiras do Iapar propôs um novo modelo tecnológico para o café do Paraná. Esse modelo está baseado no uso de tecnologias que possibilitam a auto-sustentação da propriedade, incluindo diversificação integrada na propriedade, alta eficiência produtiva, melhoria da qualidade do café e melhor aproveitamento dos recursos naturais.
O sistema adensado de plantio faz parte desse pacote tecnológico e vem sendo adotado em pequenas propriedades do Norte do Estado.


