Curitiba - O mercado de leite que já anda em baixa, como reflexo da queda no consumo de alimentos em geral, agora vem sendo penalizado pela guerra fiscal entre os Estados. Também contribuem para redução do consumo os efeitos sazonais, como o aumento da produção e oferta.
Desde o final de setembro, antes do governo proibir a concessão de benefícios fiscais, via decreto, Minas Gerais e Rio Grande do Sul zeraram o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhido no leite longa vida e ainda concedem um crédito presumido de 11% nas operações interestaduais.
Com isso ficou mais barato para as redes varejistas de supermercados comprar o leite em outros estados, onde podem se ressarcir desse crédito. Essa prática fica mais evidente à medida que os consumidores encontram uma ampla variedade de marcas de leite longa vida de Minas Gerais e Rio Grande do Sul nos supermercados do Paraná.
Para se manter competitivas, as indústrias locais são obrigadas a derrubar os preços. Como consequência, está se agravando a tendência de queda nos preços do leite pago para as indústrias e produtores, disse esta semana o presidente do Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite), Ronei Volpi.
O conselho, que vem acompanhando os preços do leite no mercado há um ano, constatou novamente queda nos preços. No mês de outubro, o preço padrão do leite pago ao produtor foi de R$ 0,4259 o litro, R$ 0,01 abaixo do mêsde setembro, cujo preço padrão era de R$ 0,4360. Em relação ao preço pago em junho, período considerado de pico na recuperação de preços, a queda no preço do leite é de R$ 0,03.
Volpi chamou a atenção para essa diferença, que hoje é mais aceitável, apesar da guerra fiscal que está penalizando os produtores locais. Segundo ele, a oscilação de preços do leite já não é tão acentuada como ocorria no passado recente, quando aconteciam as crises de superprodução e os preços do leite chegavam a cair para até R$ 0,19 o litro para o produtor. ''Hoje a situação é diferente'', disse. Segundo Volpi, os preços pagos aos produtores e à indústria andam mais juntos e as diferenças não são tão gritantes entre um setor e outro.
''Agora os preços para os dois setores oscilam na mesma proporção, invertendo uma situação anterior em que o produtor era o primeiro a sofrer com a queda nos preços e o último a se recuperar'', explicou.

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