Guerra agita mercado cafeeiro
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sexta-feira, 21 de março de 2003
Reportagem Local 
Na quarta-feira, o preço do café atingiu o ''fundo do poço'' e só o Contrado de Opções - que está sendo reivindicado junto ao governo - poderia salvar o mercado. Isto em condições normais.
Mas, à noite os Estados Unidos iniciariam a guerra contra o Iraque e a Bolsa de Nova York fechou em alta na quinta-feira, refletindo nos preços internos. Foram 225 pontos de alta durante o pregão, fechando com 155 pontos positivos. As Bolsas de Nova York e Londres são termômetro aferidores do mercado. Qualquer movimento em bolsa pode derrubar - ou levantar - o mercado em poucas horas.
Na quinta-feira, os especuladores que operam no mercado acionário, sentiram necessidade de diversificar suas aplicações diante do ambiente de incertezas por conta da guerra. Procuraram abrigar seus investimentos no mercado de commodities agrícolas, com preferência para o café. Em poucas horas o mercado ficou comprador (de papéis lastreados em café).
Mas o impacto não foi tão forte. No Paraná cafés que na quarta-feira conseguiram até R$ 150,00, foram vendidos por R$ 160,00 - em alguns casos até R$ 162,00/saca, segundo o comerciante Marcos Baccetti.
Sem interferência - Guerra à parte, o mercado não promete ascensão mais consistente. A trajetória não é otimista no médio prazo, por várias razões, uma delas a aproximação da colheita de uma nova safras brasileira, que aumenta a oferta da mercadoria.
O mercado estava muito fraco. Os preços não se recuperaram em março, contrariando a expectativa de produtores e comerciantes. Depois de atingir R$ 190,00 na primeira semana de fevereiro, o tipo 6, bebendo duro, tipo exportação do Paraná, chegou no máximo a R$ 150,00 esta semana, uma diferença de R$ 40,00 por saca.
Lotes de boa qualidade, ''quase excepcionais'', segundo comerciantes, chegaram no máximo a R$ 155,00, na quinta-feira. Mesmo assim houve poucos negócios.
''Todo mundo apostava numa reversão de tendência após o carnaval; não aconteceu'', comentou o comerciante Marcos Baccetti, de Londrina. Outros agentes do mercado confirmam que a tendência, em fevereiro era deslanchar em março, mas isto não deve acontecer.
O mercado está na expectativa de que o governo anuncie em preve os contratos de opção para o café. ''Se o governo lançar os contratos de opção, a mudança é total - segundo Baccetti. O contrato prevê preços entreR$ 220,00 e R$ 230,00 em julho.
O impacto da guera sobre os preços é considerado um fenômeno efêmero para o mercado e tudo pode voltar ao normal, com compradores e vendedores apáticos. Neste caso o esforço é para que a Conab institua os leilões para compra de opções, como forma de conferir sustentação aos preços. Em anos anteriores o mecanismo funcionou como ''levantador'' de preços.
As previsões de safra na próxima colheita e na colheita 2004/05 conspiram contra os interesses dos países produtores porque indicam aumento de oferta.


