Guapirama lidera produção de abóbora no Paraná
Município do Norte Pioneiro registrou colheita de 3 mil toneladas em 150 hectares de terras
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de março de 2026
Município do Norte Pioneiro registrou colheita de 3 mil toneladas em 150 hectares de terras
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

Guapirama, município com menos de 5 mil habitantes localizado no Norte Pioneiro, é o maior produtor de abóbora do Paraná, com 3 mil toneladas colhidas em 150 hectares de terras.
A riqueza advinda da atividade, o VBP (Valor Bruto de Produção), ficou em R$ 6,3 milhões, participação de quase 6% no VBP estadual da cultura.
Dados são referentes a 2024, divulgados pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado).
Marcelo Henrique Amadeu, engenheiro agrônomo do Departamento de Agricultura de Guapirama, relembra que a produção de abóbora no município teve início há cerca de 40 anos.
Hoje, a produção no município é concentrada em apenas seis produtores, sendo que em metade das propriedades o cultivo é de cunho familiar. “A cultura emprega entre 20 e 25 pessoas ao todo, além de gerar renda e arrecadação de impostos para o município”, destaca.
Entre os principais destinos da abóbora produzida em Guapirama figuram os estados de São Paulo, Minas Gerais e alguns municípios do Paraná.
DESAFIOS
Segundo o técnico, o maior desafio enfrentado pelos produtores de abóbora de Guapirama é o clima, principalmente devido à incidência de altas temperaturas.
O calor extremo faz com que as flores caiam ou não sejam polinizadas corretamente, reduzindo drasticamente a produção. Além disso, temperaturas altas produzem mais flores masculinas do que femininas, resultando em menos frutos.
O sol forte pode ainda queimar a casca da abóbora, criando manchas claras e afetando a qualidade do fruto. O calor intenso, combinado com a falta de água, torna as plantas mais suscetíveis a pragas.
APOIO
O Departamento de Agricultura de Guapirama presta apoio aos agricultores que se dedicam à atividade, auxiliando na emissão do CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar).
O CAF possibilita ao agricultor acessar benefícios do governo federal, como o crédito rural do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e programas governamentais de compras públicas de alimentos, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).
“A assistência técnica é feita principalmente por agrônomos de empresas particulares. A abóbora é um ramo muito bom e de alta lucratividade, mas bem desafiante por causa das condições climáticas”, conclui o técnico.
ESTADO
Dados do Deral mostram que a abóbora foi cultivada em 330 municípios paranaenses no ano passado, estando presente em 82% do estado.
O VBP da atividade em todo o Paraná ficou em R$ 106,5 milhões, resultante de 50,7 mil toneladas colhidas em 2,8 mil hectares.
A região de Curitiba lidera a produção, respondendo por 33,9% dos indicadores estaduais, seguida por Jacarezinho (12,6%) e União da Vitória (9,5%).
O VBP da abóbora no Paraná tem participação de somente 0,06% no VBP estadual, que ficou em R$ 188,3 bilhões em 2024.
Os três maiores produtores de abóbora do Paraná (Guapirama, Tijucas do Sul e Araucária) são responsáveis por mais de 15% do VBP da abóbora em território paranaense, com participação de 5,9%, 5,6% e 3,9%, respectivamente.
CENSO
O Censo Agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta o Paraná como o 7º maior produtor de abóboras do Brasil.
O ranking nacional aponta Minas Gerais como o maior produtor do fruto, com 83,6 mil toneladas em 2017.


