Vânia Moreira
De Umuarama








O gado ganha mais peso nas pastagens form,adas por gramíneas e guandu


Garcia: Guandu fornece nitrogênio para a pastagem


Produtores visitam consórcio de pastagem, no dia-de-campo em Umuarama



Sede do maior rebanho bovino do Paraná – aproximadamente 1,4 milhão de cabeças – a região de Umuarama possui também a maior área de pastagens degradadas do Estado. São cerca de um milhão de hectares, dos quais, estima-se, mais de 70% seriam deteriorados. O solo de arenito é pobre em matéria orgânica e altamente sucetível à erosão. Para piorar, a maioria dos pecuaristas não investe em conservação e recuperação do solo e das pastagens. O resultado são pastagens pobres, com baixa capacidade de lotação e baixa produtividade. O consorciamento de gramíneas com a leguminosa guandu pode ser o meio de melhorar essa situação.
O consórcio de gramíneas com o guandu, está sendo difundido pela Monsanto do Brasil, que aponta essa como uma das alternativas mais produtivas e econômicas para recuperar pastagens e aumentar a produção em solos de baixa fertilidade, como o arenito. Embora ainda pouco utilizado, o consórcio de gramíneas com leguminosas deve predominar na formação de pastagens no futuro, prevê a empresa.
EficiênciaPlantada junto com a pastagem, as leguminosas enriquecem a alimentação do gado, aumentam o ganho de peso e contribuem para melhorar a fertilidade do solo e dar viço ao capim. As mais utilizadas, por enquanto, são a alfafa, a leucena e trevos. O guandu aparece como a ‘‘grande opção’’ para solos de baixa fertilidade.
O guandu é uma excelente fonte de proteína, é bem aceito pelo gado, resiste ao pastejo e ao pisoteio dos animais. Outra vantagem é a sua grande capacidade de fixar nitrogênio no solo. Isto é essencial para solos de baixa fertilidade como o arenito, diz o engenheiro-agrônomo Antônio Garcia de Souza, coordenador de desenvolvimento de mercado de pastagens da Monsanto. A adubação nitrogenada natural da leguminosa é, segundo o agrônomo, mais eficiente do que a química. Serve como reforço alimentar para o gado e adubo para a gramínea. ‘‘Em pastagens com guandu, graças à fixação de nitrogênio, o capim se mantém mais viçoso e em permanente rebrota, mesmo em épocas de seca e frio’’.
Alguns pecuaristas da região já chegaram a utilizar o guandu nas pastagens , mas desistiram, porque as variedades comuns sobreviviam um ano, no máximo dois. Acabavam eliminadas pelo fungo fusariun. A solução está numa variedade desenvolvida pela empresa Sementes Bonamigo, de Campo Grande (MS). O Guandu Super N é altamente resistente ao fusariun e a outras pragas e doenças. As plantações dessa variedade resistem de quatro a cinco anos. Isto diminuiu o custo do consórcio.
TestesA Monsanto e a Bonamigo estão pesquisando o desenvolvimento do consórcio gramíneas/guandu Super N em vários Estados. Experiências de consórcio de pastagens com o guandu Super N estão sendo feitas nas regiões de Umuarama e Paranavaí, pela Monsanto, através do projeto ‘‘Campos do Futuro’’. As experiências começaram em março do ano passado, em cinco propriedades de Umuarama, Vila Alta, São João do Caiuá, Mirador e Planaltina. O consórcio foi instalado em áreas de formação e de renovação de pastagens. As gramíneas recomendadas são o brizantão, a tânzania ou a mombaça. Os primeiros resultados foram mostrados semana passada num dia-de-campo em Umuarama e animaram muitos pecuaristas.
Segundo Antônio Garcia de Souza, a média de ganho em pastagens de boa qualidade no Noroeste gira em torno de 120 a 150 quilos de peso vivo por hectare ao ano. Em pastagens comuns, o ganho fica entre 80 a 90 quilos por hectare/ ano. No consórcio com o guandu os criadores obtiveram, em média, 250 quilos em apenas seis meses. Garcia ressalta que a experiência foi feita num período de seca. ‘‘Em condições normais, o resultado poderia ter sido ainda melhor.’’
Na Fazenda Bonanza, em Umuarama, o proprietário, Vilson Rodrigues Alves, formou 9 hectares de capim mombaça consorciado com o guandu. Em 210 dias de pastejo com lotação máxima de 1,8 animal por hectare, o gado engordou 182,9 quilos por cabeça, uma média diária de 875 gramas. Em pastagens comuns, a média diária de ganho de peso gira em torno de 400 a 600 gramas por animal. Por hectare, os animais renderam no período 333,9 quilos.
O engenheiro da Monsanto diz que o principal objetivo do plantio de guandu no meio da pastagens é o fornecimento de nitrogênio para a gramínea. O nitrogênio é o elemento essencial para a vida do capim, mas a eficiência é baixa quando faltam outros nutrientes do solo. O guandu fixa o nitrogênio da atmosfera no solo através da simbiose com bactérias que formam nódulos nas raízes da planta e fornece o elemento para o crescimento do capim. Além disso, reforça a alimentação dos animais o ano todo. Tem capacidade de rebrota no inverno e substitui a silagem, cujo custo de produção é muito caro.