Três grandes grupos agropecuários do Brasil estão implantando um sistema conjunto de rastreabilidade em seus rebanhos para produção de carne, destinada aos mercados interno e externo. A intenção é se antecipar a implantação do Sistema Brasileiro de Rastreabilidade, que está sendo estudado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
A rastreabilidade será uma exigência do mercado externo, especialmente o europeu, a partir de janeiro do ano que vem. A Comunidade Econômica Européia já afirmou que não vai mais comprar carne de países que não adotem o rastreamento dos animais. O Governo brasileiro está tentando estender o prazo e negociar algumas exigências dos importadores. Acredita-se que o sistema brasileiro possa começar a funcionar a partir de junho de 2002. Ainda não se sabe se os compradores irão aceitar esse prolongamento do prazo de adoção.
Como vai funcionar no grupo
Os serviços de identificação e gestão das informações necessárias à certificação de origem do programa envolvendo a Agropecuária CFM, Jacarezinho e Fazendas Bartira estão a cargo do Grupo Planejar e seguirão as bases do SIRB (Sistema Integrado de Rastreabilidade Bovina).
Segundo o veterinário Leandro Ries da Planejar o software para formar o banco de dados e armazenar informações sobre os animais está dentro das normas nacionais impostos pelo MAPA e das internacionais, especialmente àquela que exige a rastreabilidade invididual dos animais.
Produção em escala
Embora tenham focos de atuação e mercados diferenciados, com produção de carne de raças bovinas diferentes e sistemas de produção que não são os mesmos, as três empresas brasileiras estão adotando um sistema padrão de rastreamento dos animais para conseguirem volume e escala de produção.
Cada uma dessas empresas produz isoladamente uma grande quantidade de animais, mas em conjunto há possibilidade de aumentar a oferta e conquistar maior fatia de mercado. Segundo Leandro Ries o grupo deverá fornecer iniciamente 80 mil animais/ano rastreados desde o nascimento até o abate. Além de volume para exportação as empresas querem também ofertar produto com maior segurança alimentar aos consumidores brasileiros.
Como é o processo
Segundo o veterinário, para o armazenamento das informações sobre os animais o processo começa com identificação que no caso das empresas parceiras é feita com a brincagem (dos animais) já no nascimento. O brinco possui um código de barras que possibilita ''guardar'' informações sobre a genética do animal, dados do nascimento e manejo, informações sobre a propriedade, entre outros. Funciona como se fosse um ''R.G.'' de cada animal.
Quanto custa
''O custo total do programa depende do sistema de identificação, mas é preciso ter um software para formar um banco de dados e disponibilizar as informações. Outra necessidade é ter uma empresa certificadora que comprove que os dados disponíveis são verdadeiros,'' explica Leandro Ries.
Para a identificação dos animais com o uso de chips eletrônicos, por exemplo, segundo Leandro Ries, o custo sai em média por US$ 3 por cabeça. No caso do brinco com código de barras o custo é de R$ 2,40 por animal.
Na média, avisa Ries, os custos totais da rastreabilidade ficam entre R$ 4,50 a R$ 5,00 por animal, já contabilizados banco de dados e certificação.
Os dados sobre os animais ficam disponíveis on line para que cada empresa que adere ao programa de rastreabilidade possa acessá-los. O endereço na internet é: www.sirb.com.br. Segundo o veterinário, além da CFM, Jacarezinho e Fazendas Bartira, já participam do SIRB mais 87 fazendas no Sul do País totalizando o rastreamento de 25 mil animais desde junho desse ano.
No site os pecuaristas têm acesso apenas às informações de seus animais, mas poderão disponibilizá-los ao venderem para outros criadores ou mesmo para o frigorífico. No caso da indústria é importante reunir na etiqueta da carne todas as informações obtidas para garantir uma certificação de origem do produto que estará colocando no mercado interno e externo.
Certificadora
A certificação de origem de bovinos de corte de cada uma das empresas parceiras do programa será feita pela OIA Brasil, atendendo a legislação brasileira e da União Européia.
A OIA Brasil faz certificação de produtos e serviços da agricultura orgânica, certificação de origem e qualidade de produtos agropecuários, capacitação técnica nas áreas de normas de produção agropecuária e certificação de produtos agropecuários e certificação de produtos e serviços para os mercados interno e externo. É associada à OIA, da Argentina, que tem as acreditações internacionais IFOAM e ISO 65 e cujos produtos certificados podem ser exportados para todos os países do mundo e firmou convênio com a AAO - Associação de Agricultura Orgânica, permitindo que os produtos certificados por esta entidade possam ser exportados para todos os países.

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