Produtores de ovos do Estado do Paraná vivenciam situação diferente daqueles que se dedicam à criação de aves de corte. Esses últimos, embora enfrentem problemas de rentabilidade e das condições impostas pelos sistemas de integração com a indústria, têm a comercialização assegurada. Ao contrário, os avicultores que produzem ovos enfrentam as oscilações de preço, disputando um restrito mercado regional.
Para enfrentar a situação, um grupo formado por professores e alunos da UEL, profissionais recém-formados e técnicos da Emater tenta organizar os produtores para a formação de uma associação ou cooperativa. O grupo reúne acadêmicos de zootecnia, tecnologia de alimentos e administração.
De acordo com Alexandre Oba, professor do curso de zootecnia e um dos coordenadores do projeto, os avicultores trabalham por conta própria e sofrem com a falta de organização do setor. ''Eles vendem a produção para os mesmos compradores e acabam competindo entre si, em vez de obter os ganhos que viriam com a união'', diz.
Um dos principais objetivos do grupo é traçar um plano de negócios para os avicultores, que teriam suporte para a atividade, comercialização dos produtos e para o descarte adequado das aves que passam da fase produtiva. Segundo Oba, na região de Londrina os pequenos têm entre 5 e 10 mil aves em produção, geralmente divididos em 3 a 5 lotes, de acordo com a idade. Estima-se que no Paraná existam 8 milhões de galinhas e 80 milhões em todo o Brasil.
O descarte das aves acaba gerando um problema para o granjeiro. Primeiro, porque os abatedouros não buscam um pequeno volume de aves. ''Se o caminhão que recolhe as galinhas passar em várias propriedades, pode gerar um problema sanitário, com a possível contaminação de um plantel'', explica o zootecnista. Ele acrescenta que outra dificuldade é que para comprar os descartes, as empresas exigem regularidade. A produção do charque de galinha é uma das possibilidades para a destinação das aves.
Oba afirma que as galinhas produzem ovos até 70 semanas de idade. Depois disso, a quantidade diminui, a casca dos ovos fica mais frágil e as aves são descartadas. Segundo o zootecnista, quando o ovo alcança preço bom, o granjeiro amplia artificialmente a idade produtiva da ave, por meio da ''muda forçada''. Pelo sistema, a oferta de alimentos é reduzida até que a galinha perca 25% do seu peso. Com a deficiência nutricional, ela para de produzir e no retorno do alimento e, por um período, alcança a produtividade de antes. (R.C.)

mockup