Grupo procura melhores preços
Cláudia Barberato
De Londrina
A iniciativa de criar uma associação partiu de produtores da região de Rolândia e Arapongas, no Norte do Paraná. Aos poucos, outros produtores do Norte do Paraná juntaram-se ao grupo em reuniões às terças-feiras à noite no Sindicato Rural de Rolândia.
Nessas reuniões são discutidas alternativas de baixar custos de produção do leite e maneiras de negociar melhor a venda do produto. Louis Baudraz e Jair Francisco, de Rolândia, são dois dos produtores que participam de reuniões do grupo desde abril do ano passado. Só agora, em fevereiro, é que a associação será formalizada, com eleição de uma diretoria e escolha do nome da entidade. A reunião será excepcionalmente na próxima quarta-feira, dia 23. O grupo se reúne, normalmente, todas as terças-feiras.
Preço superior Além de baixar custos na compra de insumos, uma das vitórias da associação, está no atual preço médio recebido pelo litro de leite na região: R$0,34; valor superior a cotação praticada no Sul do Estado, por exemplo, que está na média de R$0,28, garante Baudraz.
Segundo ele, o objetivo da associação é mexer na acomodação dos produtores e fazer com que as cinco indústrias que compram leite na região possam negociar melhor os preços pagos.
Os negócios serão melhores para quem ainda não ganha os R$0,34 pelo litro do leite porque o volume a ser vendido será maior. O grupo reunirá cerca de 20 produtores com uma produção média de 1.500 litros/dia.
Reduzir custosMesmo com um mercado diferente, Baudraz entrega leite numa indústria/cooperativa e Jair Francisco envasa o produto na propriedade, eles afirmam que a formação da associação se deu porque os produtores temiam a extinção da atividade na região. A semelhança entre os dois produtores e os demais que integram o grupo da associação está na produção familiar do leite e adoção de tecnologias para reduzir custos.
São produtores que mesmo com um certo nível de tecnologias enfrentam os problemas de alto custo (principalmente na compra de insumos) e baixa remuneração do produto. As dificuldades se agravaram por causa da concorrência com os leites longa-vida e importação do produto nos últimos tempos.
Trabalho conjunto Trabalhando isoladamente fica mais difícil. Em grupo é possível trocar informações para reduzir custos, aumentar o volume e obter melhor rentabilidade com o leite, afirma Baudraz. Nos últimos anos, segundo Baudraz, cerca de 70% dos produtores da região desistiram da atividade e a falta de união dos que ficaram enfraqueceu o setor.
De acordo com Baudraz, o produtor que entrega leite numa cooperativa, por exemplo, acaba comprando insumos por lá mesmo, acomodando-se e não procura melhores preços. Em conjunto é possível comprar melhor e ter maior poder de barganha para negociar os preços, garante.
Poder de compraJair Francisco conta que as compras conjuntas da associação já possibilitaram economia na aquisição de insumos. As reuniões têm motivado também que os produtores troquem informações sobre tecnologias e manejos rentáveis. Mas o saldo mais importante foi o poder de barganha na compra de insumos da produção.
Segundo Baudraz, para plantar a última safra de milho, por exemplo, a compra conjunta de insumos possibilitou uma economia de 10%. A compra de produtos veterinários reduziu as despesas em 20% e o maior índice de economia foi conseguido com a compra de inoculantes para silagem com redução de 40%.
Os produtos foram adquiridos em cooperativas e em outras empresas do setor. Compramos de quem pode fazer o melhor preço, contam os produtores. Nas reuniões, além de compras, o grupo discute assuntos técnicos da pecuária leiteira com a participação de agrônomos e veterinários, particulares ou de empresas.
Produção familiarOutra particularidade das reuniões está na presença dos filhos dos produtores. Grande parte dos associados têm a pecuária leiteira como única fonte de renda e na família a mão-de-obra do negócio. Um exemplo está no sítio do próprio Baudraz. De lá sai o sustento para seis famílias. Além dos filhos, os genros estão na atividade.
Fiz minha vida com o leite e quero continuar assim, afirma o produtor que está na pecuária leiteira desde 1959. Baudraz tem 100 hectares e afirma que sua rentabilidade bruta por hectare pode ser 10 vezes maior do que se cultivasse soja.
Boa rentabilidadeA rentabilidade superior do leite, de acordo com Baudraz, se dá primeiro pelo melhor aproveitamento de área. Dos 100 ha, uso 95 ha para produzir forragens. Cinco ha são de café. Se fosse plantar soja o aproveitamento seria de apenas 85 ha. Na região, o plantio da soja tem rendimento médio de 40 sacas por hectare, afirma.
Em 1999 Baudraz vendeu 1 milhão e 300 mil litros de leite. Num rebanho de 140 vacas em lactação, a produtividade média somou 8 mil e 500 quilos por lactação/vaca/ano. O preço médio do litro vendido foi R$0,34 e o custo de produção somou média de R$0,28, dois quais a alimentação é o mais caro (R$0,12 por litro).
Na lucratividade de R$0,06 não estão incluídos gastos com investimentos, avisa o produtor. Se não investir na atividade a gente pára e por isso a lucratividade fica um pouco abaixo se contarmos os investimentos que são necessários, garante Baudraz. Segundo ele, em ano de preços bons para o leite são feitos os investimentos maiores.
Negócio próprioHá cinco anos Jair Francisco saiu da cooperativa e montou a produção do Leite Roland, do tipo A, em Rolândia, junto com um cunhado e outro sócio. Hoje entregam 1.200 litros de leite/dia.
A dificuldade de Jair Francisco está na concorrência que reduz sua lucratividade. A maior vantagem da associação para ele está na compra de insumos com preços mais reduzidos.
O próximo objetivo do grupo é organizar a participação do gado leiteiro na exposição agropecuária de Londrina, que acontecerá em abril. No ano passado não houve gado leiteiro na mostra, mas este ano deveremos organizar a participação dos produtores e vamos divulgar também o produto, o leite, para que a comunidade saiba como é feita a produção do alimento, avisa Baudraz.
Outro trabalho do grupo será o melhoramento dos índices de desempenho zootécnico dos rebanhos leiteiros. O objetivo é formar estratégias de gerenciamento da atividade e conseguir planilhas unificadas de custo de produção.
O grupo já conta com uma assessoria técnica unificada e deverá, segundo Baudraz, continuar trabalhando em conjunto com entidades representativas como sindicatos rurais, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (através do Senar), Universidade de Londrina e Conselho Estadual de Sanidade (via Secretaria da Agricultura), entre outros.Produtores do Norte do Paraná formam associação para evitar falência da atividade na região
Josoé de CarvalhoBaudraz (primeiro a direita), junto dos filhos e genros que trabalham na pecuária leiteira, coordena o grupo de formou associaçãoProdutores quem além de melhores preços, aumentar volume de produção e indíces zootécnicos do rebanho





