Em nova América da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio), 16 produtores de laranja de mesa se uniram para colocar em prática as recomendações dos técnicos do projeto Hortinorte. Sob orientação do engenheiro agrônomo Maurílio Soares Gomes, da Emater do município, eles formaram, em 1998, o grupo Nova Citrus. Desde o início do ano está comercializando uma média de 1,7 mil caixas por semana, com estimativa de atingir 25 mil caixas até o fim do ano.
Para garantir a venda dos produtos, eles investiram na instalação de uma ''packing house'' (casa de embalagens). O equipamento, montado num barracão pertencente aos produtores, faz o tratamento das frutas antes da venda, tornando-as mais atrativas aos olhos dos consumidores.
Toda laranja descarregada no barracão é lavada e desinfetada pela máquina, que ainda dá brilho às frutas. O equipamento também as classifica, dividindo-as em quatro padrões de tamanho. As menores são vendidas para lanchonetes, que as transformam em suco. As maiores são vendidas para os fornecedores de supermercados.
De acordo com o engenheiro agrônomo Paulo Hidalgo, da Emater regional de Cornélio Procópio e um dos responsáveis pelo Hortinorte, o tratamento garante a venda das caixas de 25 kg por R$ 6. A comercialização é feita por dois vendedores, também produtores, que ficam com R$ 2 por caixa. Se as laranjas fossem vendidas à indústria, renderiam um adiantamento de R$2,15 por caixa-peso (40 kg) e uma complementação cujo valor é definido apenas no final da safra, de acordo com informações obtidas em uma cooperativa da região. Segundo Pedro Licorino Sobrinho, um dos responsáveis pela comercialização, as laranjas de Nova América têm boa aceitação no mercado. ''A venda é fácil, esse ano faltou produto'', afirmou.
Para o futuro, o grupo Nova Citrus prentende ampliar o volume de comercialização e conquistar novos mercados. Por isso, planejam começar a receber e tratar as laranjas de outros municípios produtores da região, visando a formação de um pólo maior.
Outros planos incluem o investimento em ações que valorizem ainda mais seus produtos frente aos consumidores. Uma das idéias é certificar as laranjas com um selo demonstrando que utilizam poucos agrotóxicos e não fazem uso de trabalho escravo. Segundo Hidalgo, as frutas serão embaladas em caixas de papelão e poderão ser comercializadas por até o dobro do preço. Outro plano é vender as laranjas em sacos de 10 e 15 quilos, com rótulo da Nova Citrus personalizado com o nome do produtor.
Masayuki Shirai, um dos integrantes do grupo, garante estar contente com o rendimento proporcionado pela laranja. Ele cultiva a fruta em 1,5 alqueire de sua propriedade de 5 alqueires. Em outra área, de 12 alqueires, ele tem mais mil pés que começarão a produzir em breve.
O produtor contou que resolveu investir na laranja em 1994, por orientação da Emater. ''Antes, só plantava grãos'', disse. Afirmou também que a rentabilidade da propriedade melhorou depois que o pomar começou a produzir. ''Agora, toda semana entra um dinheirinho'', comemora. (C.A.)

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