Gripe interrompe alta no preço do suíno
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sexta-feira, 01 de maio de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A ocorrência da ''gripe suína'' ainda não afetou os preços da carne no Paraná. Embora o consumo de produtos não tenha qualquer relação epidemiológica entre a gripe suína e a humana - o que significa que não há risco de adoecer a partir da ingestão da carne ou do contato com os animais - existe o temor de que o noticiário provoque queda na demanda nos mercados interno e externo. Neste mês o preço recebido pelos produtores seguia em tendência de alta mas, a partir desta semana, houve uma estabilização.
''Dificilmente haverá aumento de preços devido à divulgação maciça da ocorrência da doença pela mídia internacional. Isso leva o consumidor a dúvidas, mas ainda é prematuro avaliar se o consumo cairá'', diz Francisco Carlos Simioni, diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura. Na sua avaliação, o preço não deverá cair muito porque no inverno o consumo de carne de porco costuma aumentar devido ao preparo de feijoadas e de outros pratos exóticos.
Para o pesquisador de Suínos e Aves Matheus Henrique Scaglia Pacheco de Almeida, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o momento pode ser benéfico para o Brasil, que deve aproveitar para conquistar novos mercados. ''Cinco países (China, Rússia, Coréia do Sul, Tailândia e Indonésia) já embargaram carne suína dos Estados Unidos e do México e o Brasil pode ocupar este espaço'', observa. Segundo ele, tradicionalmente os preços da carne de porco caem de fevereiro em diante e começam a reagir entre o final de maio e o início de junho.
''Houve uma reação (nos preços) neste mês porque os animais têm ido para abate mais magros, o que restringiu a oferta'', informa Almeida. Até o final do ano passado o peso médio dos animais abatidos era de 110 quilos; agora é de 90 quilos. O pesquisador acrescenta que produtores têm sido pressionados pelos frigoríficos para reduzir os preços e o mesmo estaria ocorrendo no atacado e no varejo. ''Por enquanto uma redução na demanda é só 'achismo''', avalia. Ele também não aposta em uma queda muito forte no consumo devido à demanda por alimentos embutidos e processados.
Frango
Ao mesmo tempo em que o cenário indica uma tendência de redução no consumo da carne suína, as outras cadeias da carne - bovina e de frango - poderão sair no lucro. ''O frango será o grande beneficiado porque apresenta menor custo ao consumidor e tem ciclo de criação mais curto'', avalia Mauri Piubelli, trader da Nova Investimentos, agente autônomo da Corretora Link Investimentos (empresa privada de análises do mercado financeiro e das commodities). Segundo ele, inclusive, deverá haver um rearranjo nos alojamentos, que foram reduzidos no final do ano passado devido à crise econômica mundial.
O mercado da carne bovina tende a ficar estável, uma vez que este é período de baixa nos preços. No mercado financeiro, a gripe suína também espalhou reações distintas. Entre os beneficiados estão as ações de indústrias farmacêuticas e, os prejudicados, são as empresas aéreas e ligadas ao turismo.


