Greenpeace alerta produtores sobre transgênicos
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sexta-feira, 24 de junho de 2005
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
''Não somos contrários à pesquisa transgênica, mas sim à liberação desses produtos no meio ambiente sem a comprovação de que não irão oferecer riscos à saúde do homem e da natureza'', justifica Marcel Madureira, técnico de campo do Greenpeace. O grupo é uma Organização Não-Governamental (ONG) que defende as causas ambientais mundiais. Ele está em Londrina desde o início do mês de junho, realizando encontros com pessoas ligadas à produção agrícola, com o objetivo de promover um debate sobre a questão dos transgênicos, em especial, a soja.
Madureira destaca que a soja é o único produto geneticamente modificado que está liberado para a comercialização no País. Os produtores, segundo ele, estão sendo incentivados ao plantio do grão com argumentos de menor custo de produção e maior produtividade. Ele contesta a informação dizendo que estudos realizados nos Estados Unidos pelo pesquisador Charles Benbrook, mostram que só nos três primeiros anos da cultura o produtor tem uma redução no número de aplicações de herbicidas. Depois disso, a pesquisa, que avaliou esse cultivo por quase dez anos, mostra que a necessidade de controle químico de ervas daninhas seria até superior ao da soja convencional. ''O custo de produção fica, então, mais elevado'', garante o técnico do Greenpeace.
Madureira mostra um documento divulgado recentemente por uma das empresas de pesquisa e multiplicação de sementes de soja transgênica, com cálculos comparativos do custo de produção da cultura. Pelo folheto, o sistema convencional custaria R$ 1.465,51/hectare contra R$ 1.432,36/ha do trangênico. ''A diferença é muito pequena pelo risco que o sistema representa e ainda pela já comprovada menor produtividade com índices 4% a 6% inferiores'', avalia.
O produtor, na opinião do técnico, não está também sendo informado sobre as responsabilidades determinadas pela lei de Biossegurança, que regulamenta o cultivo transgênico no País. Ele exemplifica dizendo que a soja possui uma pequena porcentagem de polinização cruzada. Nesse caso, lavouras vizinhas convencional ou orgânica , por exemplo, poderiam se contaminar e os responsáveis por elas correriam o risco de serem acionados a pagar royalties à empresa detentora da tecnologia. ''É como a vaca do vizinho, que entra na sua propriedade pisoteia a sua plantação e quem arca com os prejuízos é você'', ilustra.
Madureira destaca ainda que a pesquisa não pode controlar o local exato de inserção dos genes utilizados nessa modificação celular, então poderiam ocorrer inserções acidentais de componentes genéticos sem que se saiba suas reações futuras. Outro exemplo citado pelo técnico é o risco da contaminação de outros insetos sem que se saiba também os riscos futuros disso. ''No Cerrado 30% do processo de polinização da soja é feito por abelhas. Não se pode ter certeza se elas correm ou não algum risco'', alerta.


