Orlando Bramé possui um sítio em Califórnia, região Centro Norte do Estado, e praticamente trabalhou toda a sua vida nas lavouras de café. Mesmo com toda essa bagagem nas costas, ele admite que este ano está sendo bem complicado manter a qualidade do grão depois da maturação precoce devido à estiagem e, posteriormente, as chuvas constantes. No final das contas, ele irá beneficiar de grãos ruins, com valores de R$ 390 a saca, até cafés para concursos, no valor de R$ 1 mil a saca.

Ele relata que geralmente a colheita na sua propriedade acontece entre os dias 10 e 15 de junho e este ano foi adiantada para 10 de maio. Mesmo assim, ele não consegue entrar na lavoura para fazer o trabalho devido a este período de precipitações intensas. "Foram poucos os dias de Sol e até agora não colhi nem 10% de toda a minha área".

Atrasado na colheita e sofrendo com os grãos que caem no chão, Bramé calcula que em torno de 20% a 30% da produção já está no solo. "Quando isso acontece o café acaba pegando o gosto da terra e se fica no pé, pode mofar. No final, a bebida acaba sendo prejudicada", complementa.

Em relação à produção, como realiza o beneficiamento na própria propriedade, o cafeicultor acredita que deva fechar sua safra com 200 sacas de café limpo, cerca de 45% inferior às 365 sacas limpas do ano passado. "Outro ponto é que com a qualidade menor, o preço também acaba caindo. Mas acredito que os valores podem ficar estáveis em comparação ao ano passado". (V.L.)

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