Granjas têm prejuízos de até R$ 3,00 por caixa
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sexta-feira, 11 de outubro de 2002
Reportagem local 
As cerca de 150 granjas de postura do Estado do Paraná não estão conseguindo repassar para o custo final do ovo os sucessivos aumentos nos custos da ração. Somente esta semana, no Noroeste e Norte, pelo menos seis granjas suspenderam suas atividades. No Sudoeste avicultores dividem a estrutura com outras atividades.
Uma caixa de ovos (30 dúzias) do tipo extra custa hoje para o granjeiro R$ 29,00 mais o preço da embalagem. São as caixinhas de uma dúzia que têm preço unitário de 20 centavos e elevam em R$ 6,00 o custo da embalagem por caixa. A granja não consegue receber mais de R$ 28,00/30,00 pela caixa. O mercado é concorrido e o varejo faz bom uso disso.
''Vamos ter que reduzir a produção para fazer o preço chegar entre R$ 33,50 e R$ 35,00/caixa. Assim, será possível pelo menos empatar com os custos'' - defende o presidente da Associação Paranaense de Avicultura (Apavi), Rui Harada, produtor em Cruzeiro do Sul (64 km ao norte de Maringá). Ele se queixa da deslealdade entre produtores o que é confirmado por outros granjeiros.
As perdas variam entre R$ 3,00 e R$ 3,50 por caixa, dependendo da granja. Há os que ainda têm estoque de embalagem e, portanto, seu custo é menor. Outros ainda têm reserva de ração. Mas, ao preço de hoje, atualizado, a bandeja não sai por menos de R$ 6,00 e o custo do ovo, a granel, isto é sem embalagem fica em torno de R$ 25,50. Só que a venda a granel não é uma prática normal.
De modo geral todos estão operando no ''vermelho'', garante um produtor de Maringá.
Segundo Harada, o preço dos ovos no momento são os mesmos de julho, quando a saca de milho ainda estava em torno de R$ 13,00. Hoje está encostando nos R$ 20,00. O produtor de milho recebe cerca de R$ 17,00, mas o granjeiro paga em torno de R$ 20,00 nas cooperativas.
Há algumas divergência entre os números de uma e outra granjas, mas ninguém tem dúvida de que todos estão perdendo. Exatos 86% dos componentes da ração são cotados em dólar (que esta semana voltou a explodir). Vitaminas, aminoácidos, promotores de crescimento, também são atrelados ao dólar. Mas o ovo é vendido em real.
Em 25 anos no ramo de insumos avícolas, João Carlos Danielli, de Nova Esperança, nunca viu crise igual. Ele faz outra comparação: para produzir uma caixa de 30 dúzias são necessários 75 quilos de ração - ou R$ 31,50/caixa. Esses valores estão acima do que o mercado está pagando para o produto final.
O resultado de crises como esta é decadência da avicultura no Paraná.
Oito anos atrás, início do Plano Real, o Paraná, 2º maior produtor, tinha 370 granjas de aves de postura e igual número de famílias vivendo da atividade. O plantel era 7,5 milhões de aves.
Atualmente, o Paraná tem 117 produtores e um plantel de 4,9 milhões de aves. Caiu para 8º lugar. Cresceram os Estados de Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina.
O custo está alto para todos, mas houve estados cujos governos criaram linhas de crédito para modernização. João Carlos defende uma política de subsídios para o setor. ''Eu atendo também o Mercosul e no Paraguai e Argentina isto não acontece porque os produtores são subsidiados'', afirma.


