Os baixos preços da soja, do milho e do trigo têm impulsionado os produtores a buscar alternativas que complementem a renda familiar. O cultivo de oleaginosas para a fabricação do biocombustível, por exemplo, foi uma das opções apresentadas aos visitantes do Show Rural Coopavel na semana passada.
De acordo com o pesquisador Nelson da Silva Fonseca Júnior, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o combustível vegetal pode ser também uma solução para a baixa produtividade da safrinha de inverno, que nem sempre rende o esperado pelo produtor.
Ele apontou que o cultivo de amendoim, cártamo, canola e nabo-forrageiro nos meses mais frios complementa a produção de soja, girassol e mamona, predominantes no verão. ''Além de rotacionar a cultura e agregar valor ao produto, a fabricação de biocombustível permite que o produtor se torne mais independente'', afirmou.
De acordo com o técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Dalfran Gonçalves Vale, o Brasil consome em média 40 bilhões de óleo diesel por ano. Com a liberação, pelo governo federal, da produção e utilização do biocombustível em escala comercial, o mercado para o novo combustível somaria 800 milhões de litros por ano.
O técnico contabilizou mais de 100 espécies com capacidade de produção de biocombustível. Entre elas, a soja, o girassol e o caroço de algodão são as mais difundidas entre os produtores das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do País. ''Por ser uma commoditie a soja é mais fácil de ser comercializada'', disse.
Vale ressaltou que no Norte e Nordeste do Brasil a mamona e o dendê têm ganhado mercado. ''Na Paraíba, por exemplo, o cultivo da mamona gera muitos empregos, pois não é mecanizado'', assinalou.
O técnico sugeriu a criação de um sistema de produção, fortalecido com parcerias público-privadas, para viabilizar a participação dos pequenos produtores brasileiros na produção do biocombustível. ''A transformação do grão em óleo requer tecnologia e somente os grandes produtores podem bancar sozinhos a compra dos equipamentos'', analisou.
Um estudo feito pelo Centro Brasileiro de Referência em Biocombustíveis (Cerbio) do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) calculou que a montagem de uma unidade industrial de pequeno porte, que produza 500 litros diários de biodiesel, requer cerca de R$ 600 mil em investimentos.
Um dos entraves para o desenvolvimento do biocombustível no País, segundo a pesquisa do Cerbio, seria a relação custo/benefício, ainda muito elevada se comparada ao preço do diesel comum. O preço médio para a produção de um litro de biodiesel é de R$ 1,16, entretanto, este valor não remete ao preço comercial, que pode ser acrescido de valores referentes a tributações impostas sobre os combustíveis no Brasil.
Quem teria vantagem competitiva dentro deste novo mercado, de acordo com as pesquisas do centro de referência, seriam mesmo as indústrias de manipulação de óleos vegetais, que já dominam o know how da extração de óleo.
Serviço Mais informações sobre o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel no site www.mme.gov.br.

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