Grande desafio à ciência
O que é? Conjunto de técnicas que visam a estender a capacidade humana
de manipular a matéria como jogos de montar
Moléculas, partículas, átomos compõem materiais, organismos e fazem parte da vida sem que gente se atente a isso. Porém, um outro universo coloca em foco coisas infinitamente menores, cuja manipulação pode trazer avanços e benefícios à humanidade. Cientistas do mundo inteiro se utilizam da nanotecnologia para desenvolver tecnologias que possibilitam, por exemplo, forjar materiais mais resistentes que o aço, filmes comestíveis, tecidos impermeáveis, equipamentos para tratamentos médicos e outros.
O termo ''nanotecnologia'' foi criado em 1974 pelo japonês Norio Taniguchi para definir as criações que utilizam partículas com espessura 70 mil vezes menor que um fio de cabelo. A unidade de medida da tecnologia é o nanômetro (sigla nm) e representa a bilionésima parte do metro, ou 0,000000001 metro. Mas bem antes da nomenclatura de Taniguchi, técnicos já enfrentavam o desafio de manipular átomos e moléculas como se fossem bloquinhos de um jogo de montar.
Richard Feynnan, Nobel de física de 1965, considerado um dos mais importantes da sua área, disse durante a palestra, realizada em 1959, ''Tem bastante espaço no fundo'', que seria possível arrumar átomos de maneira artificial. Afirmou categoricamente que os 24 volumes da Enciclopédia Britânica poderiam ser condensados na cabeça de um alfinete.
O físico Cylon Gonçalves da Silva, professor emérito da Universidade de Campinas (Unicamp), cita num artigo (disponível em www.comciencia.br) as inúmeras possibilidades da nanotecnologia. ''As aplicações possíveis incluem: aumentar espetacularmente a capacidade de armazenamento e processamento de dados dos computadores; criar novos mecanismos para entrega de medicamentos, mais seguros e menos prejudiciais ao paciente dos que os disponíveis hoje; criar materiais mais leves e mais resistentes do que metais e plásticos, para prédios, automóveis, aviões; e muito mais inovações em desenvolvimento ou que ainda não foram sequer imaginadas''.
O cientista enumera também a economia de energia, proteção ao meio ambiente, menor uso de matérias-primas escassas. ''Nanotecnologia não é uma tecnologia específica, mas todo um conjunto de técnicas, baseadas na Física, na Química, na Biologia, na ciência e Engenharia de Materiais, e na Computação, que visam estender a capacidade humana de manipular a matéria até os limites do átomo'', definição de Silva que resume o rol dos elementos que envolvem a nanotecnologia.
Na medicina as apostas são muitas. Pacientes com doenças neurológicas, por exemplo, podem se beneficiar dos nanotubos capazes de transmitir sinais elétricos aos neurônios. A tecnologia pode diminuir ou anular sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC). No mundo inteiro, centros de pesquisa têm se dedicado a pesquisar dispositivos para levar o medicamento a pontos específicos do organismo. A nanocápsula pode transportar drogas usadas em quimioterapia, levando-as diretamente aos locais onde se encontram os tumores, evitando que células sadias sejam afetadas. (R.C.)





