Governo reciclará classificadores
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de dezembro de 1996
Ana Maria Mejia<br>Especial para Folha Rural 
O Governo Federal investirá no próximo ano R$ 1 milhão no projeto de Classificação de Produtos de Origem Vegetal. De acordo com o chefe da Divisão de Desenvolvimento Rural do Ministério da Agricultura no Paraná, Antonio Locatelli, metade deste valor será destinado a treinamento de pessoal.
Reunidos no Hotel Rafain Centro, em Foz do Iguaçu, os representantes de 15 escritórios regionais do Ministério da Agricultura (MA) no Paraná programaram as atividades para 97. Os técnicos acompanharam o trabalho de classificação no escritório local da Claspar, e a fiscalização de produtos importados nos postos da Ponte Tancredo Neves (Brasil/Argentina) e da Companhia de Desenvolvimento do Paraná, na fronteira Brasil/Paraguai.
Reciclagem Para o próximo ano já estão agendados cinco cursos de reciclagem de técnicos do Ministério da Agricultura que atuam na classificação e fiscalização dos produtos comercializados no Estado, principalmente os que compõem a cesta básica: arroz, feijão, farinhas (mandioca, trigo e milho), soja e milho (grãos).
Controlar a qualidade dos produtos de origem vegetal destinados ao consumo humano e animal, no mercado interno, é a principal meta. O desafio é ter padrões harmônicos em todo o Estado e especialmente no País. Isto se consegue com treinamento, reciclagem e conversa, diz Locatelli. Ele acredita que a legislação permite a subjetividade, o que prejudica sua aplicação.
O Paraná tem 1.800 agroindústrias e embaladores de produtos vegetais que serão acompanhados de perto. Na avaliação anual os técnicos constataram que ainda há muita fraude com substituição de produtos tipo 1, por outros de qualidade inferior. Os números indicam que esta é a fraude mais comum.
Das marcas do feijão, por exemplo, produto essencial da cesta básica do brasileiro, tem no mercado 80% com classificação inadequada. A diferença de preços entre o tipo 1 e 2, nos supermercados de Foz, supera 100%. O quilo varia de R$ 0,75 a R$ 1,45. Em grandes negócios a diferença rende milhões.
Novos mercados A médio prazo o Paraná terá técnicos treinados para dar cursos em empresas particulares de classificação ou em outros Estados. Temos 22% da safra mundial de grãos; precisamos ter tecnologia de produção e excelência em todas as atividades inerentes à agricultura, disse Locatelli.
Nos 15 escritórios reginais e dois terminais de exportação (Foz do Iguaçu e Paranaguá), do Ministério da Agricultura no Paraná, há 18 fiscais. No Estado há 227 classificadores, que trabalham com 36 produtos diferentes. A Empresa Paranaense de Classificação (Claspar), responsável pelas atividades de classificação, tem 57 postos de serviços supervisionados pelo Ministério da Agricultura.
A decisão de investir em treinamento foi provocada pela abertura das fronteiras para grãos, fibras e frutas produzidos no Paraguai e Argentina, e mais recentemente no Chile. No dois últimos anos a entrada de produtos vegetais praticamente dobrou, com ênfase na região de fronteira.
O Mercosul e o mercado mundial exigem padrões harmônicos. Alguns produtos, como a batata, já estão classificados da mesma forma. Hoje um tipo 1 no Brasil vale o mesmo no mercado argentino. Locatelli enfatiza que haverá investimento também na área de fruticultura, que está em crescimento no Estado. A preocupação do Ministério, segundo ele, é ter parceiros que operem com programas de qualidade. Quem não se adaptar à competitividade do mercado mundial ficará de fora, alertou.


