Governo quer retomar exportações de pescado para a Europa, diz ministro
Vendas foram barradas em 2018, após problemas em embarcações brasileiras. Mesmo com embargo, a exportação do setor cresceu nos últimos anos
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sábado, 04 de março de 2023
Vendas foram barradas em 2018, após problemas em embarcações brasileiras. Mesmo com embargo, a exportação do setor cresceu nos últimos anos
Mateus Vagas e Danielle Brant 

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Um dos três indicados do PSD para o primeiro escalão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, 61, afirma que retomar exportações para a Europa é uma prioridade para a pasta.
"Envolve diplomacia e decisão política do presidente, que já se mostrou muitas vezes sensível a essa questão. A gente acredita que o mundo olha o Brasil que respeita o meio ambiente com maior simpatia, maior tolerância", disse o ministro em entrevista à Folha de S.Paulo.
As vendas foram barradas em 2018 pela União Europeia, após problemas em embarcações brasileiras.
O ministro quer que os países do bloco analisem os avanços que foram feitos para que façam nova deliberação sobre a retomada do fornecimento.
"Há um sentimento de que, com essa boa vontade e com os avanços que ocorreram, a gente hoje já tem condições de voltar a fornecer para o mercado europeu", afirmou o ministro, sem estimar quando as vendas podem ser retomadas.
Mesmo com embargo, exportações cresceram
Mesmo com o embargo europeu, a exportação do pescado brasileiro cresceu nos últimos anos, passando de US$ 253,9 milhões, em 2017, para R$ 413,9 milhões, em 2022, segundo dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
As vendas aos Estados Unidos respondem por cerca de metade desse valor.
O ministro afirma que outra pauta da pasta é buscar redução de tributos para rações usadas pelo setor da pesca e aquicultura, replicando benefícios concedidos a mercados como de suínos e aves.
"Para se ter ideia da importância disso, na casa dos 70% do custo da produção vem da ração. Então é uma coisa relevante. Porque um dos nossos desafios também é ampliar o consumo de pescados no Brasil, nós consumimos muito pouco. Então é um fator que seguramente pode contribuir para ampliar o consumo e reduzir o preço."
Volta ao primeiro escalão
O ministro diz que a intenção é discutir o assunto independentemente da reforma tributária. "Isso é tão obviamente importante e lógico que eu tenho otimismo de que possa funcionar."
O Ministério da Pesca havia sido extinto em 2015, ainda no governo Dilma Rousseff (PT), quando passou a ser abrigado na Agricultura. A Pesca voltou ao primeiro escalão na gestão Lula.
A pasta da Pesca ainda ajudou a projetar aliados dos últimos governos. Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) foi ministro de Dilma antes de se tornar prefeito do Rio, enquanto Jorge Seif (PL-SC) chefiou a secretaria na gestão Bolsonaro e venceu a disputa ao Senado em 2022.

Sem experiência no setor da pesca, André de Paula foi deputado por 24 anos e perdeu a eleição ao Senado por Pernambuco no ano passado.
Ele afirma que um de seus desafios é provar que a Pesca merece manter o status de ministério. "Se ao longo dos próximos quatro anos a gente promover avanços significativos, qualquer que seja o futuro governo, se mexer com o status do ministério estará promovendo um retrocesso e político não gosta de ser promotor de retrocesso."
O ministro também afirma que planeja ampliar o orçamento do ministério, hoje um dos menores da Esplanada - cerca de R$ 300 milhões em 2023 - , com o aporte de emendas parlamentares.
"Encontrar projetos que atendam, por exemplo, a pesca artesanal, e que evidenciam essa importância do parlamentar, seguramente vai fazer com que a gente possa captar um volume maior de recursos por parte do Congresso", disse.
De Paula diz que uma das ações que podem ser bancadas por emendas é o "Pescador Legal", que está em estudo na pasta. A ideia é regularizar a atividade de trabalhadores do setor.
"Você imagina como é difícil para um pescador ter acesso ao portal do governo. Isso tem um reflexo muito grande, pois da sua legalidade decorre a Previdência e vários benefícios sociais."


