Governo federal não sinaliza auxílio
Ciente da situação dos produtores de mandioca do Estado, a Federação da Agricultura do Paraná (Faep), em conjunto com o Deral, encaminhou um ofício ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), solicitando medidas para conter a queda no preço da mandioca. O documento foi enviado no final do mês passado, mas até agora não surtiu o efeito aguardado pelas entidades e produtores.
Dentre as solicitações, a Faep elencou diversos fatores, como a atualização dos Preços Mínimos de Garantia em 30% para a raiz e derivados, prorrogação dos financiamentos agrícolas, viabilização de recursos na modalidade AGF (Aquisição do Governo Federal) para a aquisição de 20 mil toneladas de farinha de mandioca e 20 mil toneladas de fécula. Além disso, as entidades solicitaram a intervenção do governo para estimular as exportações e abertura de novos mercados para os derivados do produto e aquisição de 5 mil toneladas de derivados e de 10 mil toneladas de farinha de mandioca para a merenda escolar e compra institucional.
O economista da Faep, Pedro Loyola, está bem cético em relação à resposta governamental. "Vamos continuar cobrando, mas é válido lembrar que o governo ainda não liberou os R$ 300 milhões prometidos no ano passado para complementar o valor do seguro rural", relata.
Ele relembra que em 2014 já foi um ano ruim em relação ao apoio a comercialização de produtos e as expectativas não são as melhores para este momento. "É um ano econômico difícil e não sabemos como o governo irá trabalhar com as políticas agrícolas. O ideal, para o caso da mandioca, seria a atualização do preço mínimo do produto, que aconteceu na última vez em 2013, além de intervir no mercado por meio do AGF", exemplifica ele.
Por fim, Loyola explica que a mandioca é um mercado muito volátil, como acontece com o feijão. "No feijão, houve um aumento do preço mínimo, o que incrementou a produção. Já no caso da mandioca, o incremento de preço em safras passadas fez com que a produção nacional crescesse demais. Isso, por si só, já desandou toda a estrutura de oferta e demanda".
Com a falta de sinalização do governo e preços tão pequenos, e economista considera que de fato "a situação é bem complexa para o produtor". "Ainda temos reuniões agendadas com a Frente Parlamentar de Agricultura e com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Vamos aguardar". (V.L.)





