A discussão sobre a qualidade do leite e a forma como se dá a produção e a coleta veio à tona nas últimas semanas, mas as ações de fiscalização são frequentes e fazem parte do processo produtivo. De acordo com Alexandre Campos, assessor da coordenação geral de inspeção do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), órgão pertencente ao Ministério da Agricultura, a fiscalização é periódica, com auditorias criteriosas, embora a demanda seja muito grande. Há, no País, 1.480 estabelecimentos de produção de leite e derivados e apenas 190 fiscais sanitários.
"Toda empresa tem que mostrar as análises química e biológica", observa Campos. Ao todo, são realizados, segundo o Mapa, 8 milhões de análises por ano no Brasil. Em caso de inconformidade do produto, até os fornecedores serão responsabilizados. "Toda empresa deve ser responsável pelo seu produto", enfatiza. Campos completa: em 2003 o Ministério criou o programa Fraude no Leite, ação com o objetivo de fiscalizar a produção industrial brasileira.
Segundo ele, quando há indício de fraude, o Ministério adota uma medida cautelar. "A empresa segue produzindo, mas só poderá comercializar quando o produto estiver dentro dos padrões exigidos na legislação", elucida. Campos afirma que o modelo paranaense de produção, baseado no sistema cooperativista, em que produtores e indústrias possuem uma relação confiável, é menos sujeito à fraude. "Para a fiscalização, as cooperativas tornam a tarefa muito mais fácil", aponta o assessor.

Parceria
Para otimizar ainda mais a produção de leite de qualidade no País, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), criou em 2010 o programa Produção de Leite de Qualidade.
Segundo Bruno Lucchi, assessor técnico da comissão nacional de pecuária de leite da CNA, o objetivo do projeto é colocar em prática a Instrução Normativa IN62, que tem por objetivo estabelecer normas para a produção de leite. O atendimento aos produtores e às indústrias interessadas ficam sob responsabilidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). "Queremos por meio do programa chegar a níveis internacionais de qualidade", encerra Lucchi. (R.M)

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