A terceira mudança no titular do governo do Paraná entre abril deste ano e janeiro próximo não vai interromper o processo iniciado em 2012 para que o Estado se antecipe como área livre da aftosa sem vacinação. Depois que Beto Richa deixou a cadeira para concorrer ao Senado, Cida Borghetti assumiu o posto, mas perdeu a eleição no primeiro turno para Ratinho Junior, que tem interesse em alavancar a economia no setor rural dessa forma.

A afirmação é de Norberto Ortigara, assessor do governador eleito e ex-secretário da Agricultura do Estado. "Nosso governo vê com simpatia o sonho com mercados mais amplos, mesmo porque nosso discurso sempre foi o de fortalecimento do agronegócio", diz.

Ortigara afirma que o movimento foi planejado desde o início da década, com medidas como a criação da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), a contratação de profissionais, investimentos em georreferenciamento e o desenvolvimento de barreiras sanitárias móveis e fixas. "Nesses últimos dois anos melhorou-se - e muito - a vigilância ativa e passiva e estamos desde 2005 sem qualquer registro de focos", diz.

Apesar de reconhecer que há segmentos contrários à antecipação, ele afirma que houve estudos de custo benefício para cada um dos cenários. "Iniciamos lá atrás um programa pala elevar os índices zootécnicos para termos bezerros e garrotes de qualidade e criados aqui dentro e o setor cresce como é possível", afirma. "Minha leitura é que será bom para a economia do Estado porque a suinocultura vai acessar dois terços do mercado mundial nos quais hoje não pode entrar."

Sobre a experiência de Santa Catarina, ele rejeita a tese de que os ganhos foram pequenos frente a eventuais dificuldades. "Dizem que eles não ganharam tanto, mas estão lá, recebendo a mais e não se arrependeram", sugere Ortigara.

Ratinho Junior foi procurado pela reportagem, mas viajou com a família para descansar após a campanha. (F.G.)

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