O valor agregado e o prazer de consumir e vender um produto de qualidade levam várias pessoas a investir na produção de cafés gourmets. Andrea de Oliveira Lima Zinath deixou de atuar como advogada para se dedicar ao cultivo e fabricação de um café especial. Ela se associou ao irmão, Rafael de Oliveira Lima, engenheiro de alimentos, para seguir uma vocação familiar: seus avós maternos sempre plantaram café e seu pai é engenheiro agrônomo.
Andrea e Rafael identificaram um nicho no mercado de café. ''Aqui não tínhamos um gourmet que fosse a marca da região'', diz Andrea. ''Percebemos também que a procura por cafés especiais estava aumentando'', completa. Os dois irmãos decidiram, então, utilizar a propriedade da família no município de Japira para a fabricação do café Pecatto torrado e moído e expresso.
As condições de clima, solo e altitude são determinantes para a obtenção de um produto de qualidade. Mas isso não basta para um bom resultado. De acordo com Andrea, o café recebe cuidados especiais no manejo e na colheita. ''Os grãos não têm contato com o solo, a colheita é feita no pano'', descreve.
O sabor de um gourmet depende também da seleção dos grãos, que evita a fermentação do café. As características também são determinadas pela torra. De acordo com Andrea, a torra média garante um gourmet saboroso e nutritivo porque preserva as vitaminas, sais minerais, niacina, lípidios e o ácido clorogênico, substância que provoca bem-estar ao se saborear uma xícara de café.
A torra média ou clara são garantia da qualidade do café. De acordo com o agrônomo Francisco Barbosa Lima, pai de Andrea e Rafael, técnico do Instituto Brasileiro do Café (IBC), os dois tipos de torra acentuam a qualidade e os defeitos do produto. ''A torra forte, preferência da maioria das pessoas, descaracteriza o sabor e queima todos os componentes do café, exceto a cafeína'', explica.
Sabor e prazer não são os únicos argumentos da empresária ao defender o consumo do café. ''É um alimento nutritivo. Vários estudos comprovam que protege o pâncreas contra o câncer e é aliado no combate à depressão'', afirma. Outra vantagem, segundo ela, é que o produto repõe sais minerais no organismo. ''Uma xícara de café equivale a uma garrafa de isotônico'', compara.
De acordo com a empresária, os consumidores de café estão ficando mais exigentes e se especializando no produto. Num processo semelhante ao que ocorreu com o vinho, as pessoas já conseguem identificar notas de chocolate, frutas cítricas ou caramelo, características que dependem da região onde o produto é cultivado. ''Hoje um café gourmet é uma opção de bebida nobre para agradar uma visita ou um cliente no escritório'', afirma. (R.C.)

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