GIRO
Um ano de muito trabalho. Essa é a idéia que resume a expectativa da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) para 2004. O presidente da entidade, Ademir Mueller, estará em Brasília nos dias 15 e 16 de janeiro, participando do debates com o governo federal sobre os prováveis impactos das propostas de reformas sindical e trabalhista para o segmento.
Também no começo do ano, em data a ser definida, deve acontecer uma reunião entre Fetaep e Banco do Brasil para encaminhar o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para a safra 2004-2005. ''A intenção é evitar que se repita a dificuldade para contratação de financiamentos como aconteceu este ano, que maltratou muito o nosso agricultor familiar'', explica Mueller.
Outra meta para o Ano Novo é trazer do discurso para a prática o Fundo de Aval, um instrumento para facilitar a vida do agricultor que depende do crédito rural para produzir e paga em dia os seus compromissos. ''Vamos cobrar a promessa feita pelo governador Roberto Requião durante as negociações do Grito da Terra Paraná'', garantiu o sindicalista. No evento, realizado em julho, Requião garantiu que encaminharia uma mensagem dispondo sobre o assunto para ser votada pela Assembléia Legislativa - o que acabou não confirmando.
A área de formação sindical é outra área estratégica para a Fetaep. A entidade aposta na oferta de cursos, seminários e treinamentos regionais como um dos instrumentos para promover o desenvolvimento sócio-econômico dos agricultores.
E a vaca louca chegou aos Estados Unidos
Pelo menos 12 países, incluindo o Brasil, anunciaram na quarta-feira a suspensão da importação de carne bovina dos EUA depois que o Departamento de Agricultura confirmou o primeiro caso da doença da vaca louca no país (Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB). Os EUA anunciaram também um ''recall'' de cerca de 4,7 toneladas de carne distribuída por uma fazenda próxima à cidade de Yakima, no Estado de Washington, na Costa Oeste, onde a doença foi diagnosticada. Novos testes, inclusive de amostras enviadas ao Reino Unido, devem reconfirmar ou descartar o problema nos próximos dias.
Preço do boi gordo pode explodir
A notícia teve pouca repercussão imediata porque circulou na terça-feira. No dia seguinte, véspera do Natal, o mercado estava em ''recesso'', mas a suspensão das importações de carne dos EUA por parte de vários países tende a aumentar a demanda pela carne brasileira. Neste caso, até que se esclareca a verdadeira dimensão do impacto, a arroba do boi terá grande salto na segunda-feira.
EUA deixam espaço mundial para Brasil
Na quarta-feira várias autoridades e lideranças se manifestaram; todas prevendo aumento do mercado para o Brasil. O ministro Roberto Rodrigues disse que o Brasil vai aumentar suas exportações. Só a Coréia e o Japão compram 700 mil t/ano. É espaço para o Brasil.
Mas Antenor Nogueira, presidente do Fórum Nacional da Pecuária de Corte da CNA, foi mais realista. Coréia, Japão, México, Canadá e Oceania, são mercados que ainda estão fechados para a carne brasileira por motivos sanitários. É uma chance para conquistá-los. O consultor Ênio Marques, da Associação Brasileira dos Frigoríficos, acha que ''os preços da carne brasileira vão disparar''.
Pavor dos consumidores e especulação
Anos atrás, a vaca louca causou pânico e muita especulação na Europa. A Inglaterra sofreu prejuízos enormes com o sacrifício de animais apenas suscetíveis. Agora o episódio tem pela frente longos meses de especulação, afinal envolve os EUA. Em 1986, cientistas identificaram a doença BSE (sigla inglesa para encefalopatia espongiforme bovina). Uma proteína infecciosa chamada príon causa a degeneração das células do cérebro, dando ao órgão a aparência de esponja. No processo, animais perdem a coordenação motora e ficam cambaleantes. A doença surgiu após décadas de alimentação dos mesmos com carcaças de ovinos. Esse tipo de alimentação foi banida em 1989, mas os casos de BSE seguiram aparecendo, atingindo um pico em 1992. (Reportagem Local, AE e Folha).





