SafrinhaPeríodo de cultivo depende da região. A safrinha pode ser feita no Cerrado a partir de janeiroResultados de uma área experimental de cultivo de girassol forrageiro demonstraram que a planta pode ser usada como alternativa à silagem de milho, com produtividade de 72 toneladas de matéria verde por hectare e 12% de proteína, incorporando ainda com seu conteúdo de óleo o fator energético.
Os testes foram realizados na fazenda modelo do Parque Castelo Branco, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, pela empresa Sinuelo Genética Agropecuária, em conjunto com a Emater, órgão da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado,
TecnologiaDe acordo com o gerente da empresa, Júlio Cesar Gómez, a pesquisa de uso do girassol para forragem vem sendo feita há mais de um ano, acompanhando as experiências de cultivo feitas pela Embrapa. O trabalho foi realizado com sementes importadas da Argentina, variedade Rumbos-90 e 91. Estas variedades, já testadas no Brasil, apresentam características de crescimento e ‘‘boa produção de massa verde.’’
Na primeira etapa do projeto o girassol foi colhido, picado e ensilado, mas só será utilizado em maio, durante a Exposição de Outono, no Parque Castelo Branco, para alimentar os animais.
DivulgaçãoA silagem da planta tem boa produção de matéria seca e qualidade
O corte e silagem foram feitos com maquinaria e tecnologia também importadas da Argentina, usando máquina ensiladeira de duas linhas, com boa capacidade de corte e picado fino. Faz-se o corte para silagem quando mais de 75% dos grãos do capítulo da planta já estiverem maduros. A silagem foi feita no processo silo-press, com o material picado e ensilado por uma moedora-ensiladora, em tubo de plástico flexível com 250 microns de espessura e 1,5 metro de diâmetro.
RendimentoA área usada para o cultivo, mesmo não sendo a ideal segundo Gómez, já que o solo era alagadiço, com lençol freático muito alto, ‘‘rendeu bons resultados.’’ Outro problema foi o clima, totalmente adverso, primeiro por um período de seca, justamente nos dois primeiros meses de cultivo, seguido por um período excessivo de chuvas, com pouco sol, alternando dias de frio e calor.
Gómez diz que foram comprovados melhores resultados em relação a silagem de milho, que ‘‘tem um rendimento de 30 a 35 toneladas de matéria verde por hectare e uma média de 6,5 a 8% de proteína.’’
Outra vantagem, apontada pelo gerente da Sinuelo, é que o girassol pode ser cultivado em qualquer época do ano, principalmente entre outubro-dezembro (safra) e janeiro-março (safrinha). O girassol, afirma, ‘‘é resistente a períodos secos, mais exigente de água na emergência, floração e enchimento dos grãos; e resistente também a geadas, desde que não ocorram em período de florescimento, igualando-se ao milho em suas exigências nutricionais.’’
A cultura, acrescenta Gómez, desenvolve-se bem em solos argilosos de textura média, bem drenados. Deve-se evitar os solos arenosos e a manter limpa até o quadragésimo dia, quando ultrapassa seu período crítico. Embora a semente de girassol seja mais cara do que a do milho, o gerente da empresa garante que a densidade de plantio é menor, devendo-se utilizar entre 4 e 5 quilos por hectare, ‘‘o que torna equivalente o custo de produção.’’
No cochoO girassol pode também ser cortado e servido no cocho para os animais. Mas as variedades comercializadas pela empresa também se prestam ao cultivo como oleoginosa, apresentando índices de produtividade ‘‘acima de 2 mil quilos por hectare, com teor de óleo até 46% a 50%’’.
Outro modo de utilização do girassol pode ser na forma de grãos, farelo e rolão. Em condições favoráveis, afirma Gómez, o girassol produz até 4 mil quilos de grãos por hectare, com teor de 47,5% de proteína bruta e 43% de proteína digestiva.
Ainda de acordo com o gerente da empresa, a Embrapa testou as variedades Rumbo-90 e 91 em 22 municípios do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Piauí. Elas alcançaram nos ensaios intermediários (safrinha) os seguintes resultados no Paraná, excluíndo a experiência em Curitiba: teor de óleo - 42%; altura da planta - 2 metros; média de 80 dias para início da floração; final da floração em média de 89 dias, e a maturação fisiológica obteve média de 114 dias.

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