Gestão é o principal insumo
O professor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) Célio Marques Luciano Gomes é engenheiro agrônomo especializado em gestão rural com enfoque em agronegócio. Ele salienta que hoje, independentemente da formação do produtor rural, é necessário que o homem do campo entenda de gestão para sobreviver no mercado. "No setor agropecuário brasileiro há tecnologias e recursos disponíveis, mas se o produtor não souber aplicá-los na atividade rural, como um empreendimento que dê retorno, não adianta trabalhar. Além de ser técnico, é preciso conhecimento em gestão."
Gomes relata que produtores de todos os perfis necessitam lapidar o trabalho em gestão. Normalmente, quanto mais esclarecido o agricultor, maior é a busca pela administração. "O pequeno produtor precisa entender que o assunto não é importante apenas para os (produtores) maiores."
O professor ressalta que é necessário conhecimento acerca de quem é o cliente e como está o mercado, entender cenários e conhecer os custos de produção. "Quem não sabe o quanto gasta, não sabe o quanto ganha. Oferecemos ferramentas para o produtor levantar o custo real da produção. A partir daí, é preciso vender o produto: marketing, qualidade, aparência, ser visto, se atualizar e relacionamento com o mercado são algumas ferramentas que precisam ser trabalhadas. Também ensinamos o pessoal a planejar, olhar os pontos fortes e fracos da propriedade, ameaças e até o desenvolvimento humano, estabelecendo metas para evoluir."
De acordo com Gomes, os produtores paranaenses já melhoraram no tema, mas ainda há muito o que trabalhar. Ele cita, por exemplo, que não é difícil encontrar grandes produtores que não conhecem legislação trabalhista e as implicações na administração dos empregados de uma propriedade. "O produtor também não sabe que precisa motivar o pessoal que trabalha com ele, pensando que todos são máquinas. No meio urbano, as empresas já conhecem essas ferramentas, mas no meio rural ainda está atrasado", opina.
Outro ponto muito comum é que o produtor rural tem a tendência de olhar a parte técnica, ligada à produção, com mais carinho de como vê a gestão em si. Fazendo isso, ele pode deixar de tomar uma decisão importante para a propriedade. "Temos muito para avançar. Inclusive, muitas grandes empresas do agronegócio colocam pessoas para fazer esse curso que não têm poder de decisão. Ele volta para a empresa e nada muda. Quem tem que fazer esse trabalho é o empresário, o dono da propriedade, já que a gestão te desafia a tomar decisões e mudar o rumo da empresa rural."
Uma gestão bem feita pode, inclusive, fazer com que o produtor se torne mais independente do crédito e outros benefícios que o governo oferece para o agronegócio. "O bom gestor faz um capital de giro, um fluxo de caixa, atua em finanças, comercialização, recursos humanos, faz planejamento. É outra história. Cerca de 90% da gestão é mudança de comportamento. O Paraná bate recordes de produtividade, qualidade e tem muita tecnologia, mas a gente continua no reboque de medidas econômicas do governo porque falta gestão. Se o pessoal não encarar isso como o principal insumo, ficaremos na dependência governamental. Nos meus cursos, percebo uma mudança de comportamento, o produtor sai diferente. Se ele não pratica tudo, com certeza faz algumas mudanças extraordinárias", finaliza Gomes.





