Salvador - O agronegócio é bastante dinâmico e está sujeito a diversos fatores, como o clima, que determinam o bom desempenho da produção e da comercialização. Por conta desse dinamismo, para obter sucesso na atividade ou pelo menos evitar prejuízos, algumas condutas se fazem cada vez mais necessárias. Entre elas, planejar a longo prazo a produção, travar preços de custos e de vendas e adotar o seguro agrícola. É o que observa Gustavo Fabian Grobocopatel, engenheiro agrônomo e presidente do grupo argentino Los Grobos, que participou do 1º Clube da Soja, promovido pela FMC Agricultural Products, em Salvador, Bahia.
Na opinião do agrônomo, o ponto principal é administrar com eficiência o negócio e saber comercializar a produção. A orientação de Grobocopatel é de que os produtores consultem profissionais da área, estudem sua atividade e mantenha-se sempre bem informados. ''A principal questão para acertar mais é a gestão de produto'', enfantiza. E sugere o travamento de câmbio e custos, por meio de empresas do setor, para diminuir os riscos.
''Estamos cada vez mais sujeitos a questões que fogem de mercado, não sabemos quais serão os preços dos grãos no próximo ano nem em 5 anos'', observa ele, reforçando a necessidade de se planejar a produção e a venda do produto a longo prazo. E cita a oscilação nos valores de transporte de grãos no auge da safra.
O agrônomo avalia que o Brasil tem algumas vantagens no setor, como volatilidade reduzida da produção em relação aos países vizinhos. ''Aqui existe mais certeza de quanto será a produtividade'', pontua. Por outro lado, o custo por hectare é o maior da região, bem como as despesas com logística, insumo e outros. ''Então, qualquer modificação nos valores de comercialização do produto pode deixar o agricultor com quebra financeira. Por isso, a importância de planejamento'', frisa o empresário.
O também agrônomo e professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), Antônio Luiz Fancelli, também aponta que para a eficiência produtiva do agronegócio brasileiro está a melhora da gestão do negócio e, principalmente, dos fatores de produção. ''Temos condições de chegar a uma produtividade de 4 mil quilos de soja por hectare, em média'', frisou Fancelli, durante o Clube da Soja.
Para ele, contudo, o País precisa superar alguns desafios. E elenca a necessidade de se reiventar as universidades e órgãos de pesquisas - em conceitos e diretrizes. Destaca também a importância de gerar tecnologia apropriada, eficaz e comprometida com a realidade nacional e, consequentemente, melhorar a difusão e adoção dessa tecnologia. E ainda cita a necessidade de se fomentar a transformação do produto primário, a industrialização no local de produção, agregando valor à atividade. ''Seria interessante reduzir a exportação de produtos primários a preços irrisórios'', frisa.
Na opinião de Fancelli, o País tem condições de otimizar, sim, a atividade agrícola, principalmente porque conta com pontos a seu favor, como boas condições climáticas, demanda crescente pelos produtos agropecuários e possibilidade de expansão agrícola.

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