A Embrapa Gado de Corte desenvolveu um programa de qualidade da carne que viabiliza a gerência eletrônica da propriedade rural, permitindo ao pecuarista reduzir custos de produção a partir do registro das operações de manejo em um software.
Para ter acesso ao Sistema de Registro de Informações para Rastreamento Animal, o produtor precisa realizar o rastreamento do gado com a Embrapa e passar por um treinamento de 40 horas.
Durante o treinamento, o pecuarista relembra conceitos de melhoramento genético e sanidade animal e aprende a realizar cortes especiais na carne. Segundo o pesquisador Pedro Paulo Pires, nas propriedades que operam com auxílio do sistema, o animal é abatido com acompanhamento de técnicos da Embrapa e comercializado com o selo da empresa, ''que garante padrão de qualidade e preço diferenciado ao produtor'', complementa.
O pesquisador explica que o rastreamento é feito da forma convencional, com a implantação de um chip eletrônico no animal, seja no umbigo, no estômago ou na forma de brinco. A novidade é a utilização de uma leitora portátil, confeccionada em pano, que indica o tipo de manejo realizado pelo peão, o chamado 'teclado do peão'.
Esta leitora possui a indicação das diferentes alternativas de manejo que ocorrem no mangueiro e permite executar mudanças de função quando houver a necessidade de identificar separadamente os lotes por manejo ou tratamento.
''Quando vai ao campo, o peão leva este painel eletrônico e alimenta o software que contém a planilha de dados do animal por meio de ondas de rádio'', ressalta Pires. As informações podem ser recolhidas no momento da pesagem ou quando o animal estiver bebendo água, por exemplo. Para isso, são instaladas antenas em locais estratégicos da propriedade.
Com o sistema, é possível associar o controle numérico do rebanho a todos os registros genéticos e de manejo alimentar, reprodutivo e sanitário. Dessa forma, analisa Pires, o pecuarista pode prever possíveis prejuízos com até um ano de antecedência e descartar um animal problemático em meio a outras 10 mil cabeças de gado.
De acordo com Pires, a meta é difundir a tecnologia para outras quatro unidades da Embrapa no País, com adaptações para as diferentes regiões. A princípio, o treinamento seria destinado somente a grupos de pecuaristas ao custo da rastreabilidade do gado, cerca R$ 1,50 por animal. O produtor teria de adquirir também o software, já disponível no mercado.
''Com a implantação do sistema, o pecuarista pode modificar o perfil da propriedade, controlar estrategicamente o manejo do gado e da pastagem e garantir a produção de uma carne de qualidade sem precisar investir milhões. Além disso, ele tem o acompanhamento da Embrapa até três anos depois de implantar o sistema'', completa Pires.

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