No mercado desde 1908, o pessoal da Agro-Pecuária CFM tinha dificuldades para juntar bois que abasteceriam o antigo Frigorífico Anglo, de propriedade do grupo. Com o tempo, o rebanho foi ampliando e o problema passou a ser outro: arranjar bons touros reprodutores. A solução, em 1980, foi investir na produção de touros próprios. O resultado saiu melhor que a encomenda. Hoje a CFM tem o maior projeto especializado na produção de touros Nelore avaliados com Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP) - papel expedito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que é praticamente um ''RG'' do touro -, do Brasil, com a produção de cerca de dois mil animais por ano.
Só no megaleilão que realiza tradicionalmente no mês de agosto, em São José do Rio Preto (SP), a CFM fatura de R$ 4 a 6 milhões, vendendo de 600 a 1000 animais. O preço médio fica na casa dos R$ 7,5 mil, mas já teve animal sendo arrematado por R$ 150 mil.
Com uma visão extremamente empresarial, a Agro-Pecuária CFM tem um critério rigoroso de seleção de seus animais desde 1995, quando deu início ao programa de avaliação genética, elaborando um índice que usa como base a Diferença Esperada na Progene (DEP), tabulando o peso à desmama, o ganho de peso da desmama ao sobreano, a musculosidade e o perímetro escrotal, tudo devidamente aferido pelo Grupo de Melhoramento Animal da Universidade de São Paulo (USP), de Pirassununga (SP).
''O CEIP só sai para os 30% melhores de cada safra. Os outros animais, por melhores que sejam, vão para o frigorífico'', enfatiza o coordenador de pecuária da CFM Luis Adriano Teixeira.
Para as fêmeas, a exigência é a primeira prenhez entre 14 e 16 meses de idade e uma desmama de bezerro por ano. ''No desmame do bezerro que está a seu pé, a vaca já tem que estar prenhe novamente. Além disso, ela tem que demonstrar uma excelente habilidade materna, cuidando do filhote. Se acontecer de o bezerro ser picado por cobra, a mãe vai para o frigorífico, pois teoricamente não teria cuidado bem do filhote. Assim garantimos que só a melhor genética está sendo transmitida adiante'', reforça Teixeira.
No final das contas, todo esse rigor significa lucro. Pelas contas do pessoal da CFM, a diferença de produtividade entre dois animais filhos de mesmo pai, um no topo da avaliação genética e outro descartado pelos técnicos da empresa chega a R$ 4.086 por vida útil produzida. (W.S.)

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