Enquanto a chuva continuar, não há perigo. Mas, todo inverno é a mesma coisa. O risco de geada é sempre motivo de preocupação para os agricultores paranaenses, principalmente os que têm café e não esqueceram o estrago causado pelo fenômeno em 2000. Geadas, além de tudo, dão margem a especulação comercial.
O mercado cafeeiro apresenta-se frágil frente às variações climáticas, mesmo depois de tantas evoluções técnicas e programas de melhoramentos.
De acordo com os últimos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira do produto deverá oscilar, este ano, entre 36,1 milhões e 40,46 milhões de sacas de 60 kg, em decorrência das variações de clima.
A situação é delicada para o mercado interno, segundo Marcos Bacetti, corretor de café. ''Como a produção do café é bienal (um ano de boa safra costuma seguir-se de outro de safra ruim), teremos dois anos de produções ''não muito exponenciais'', o que pode ocasionar o aumento da diferença entre consumo e produção''.
Para Bacceti, é possível comprovar na safra desse ano que a renda do produto (quantidade de café em coco suficiente para uma saca de 60 quilos do produto beneficiado) foi menor que em anos anteriores. ''A média do quilo/renda no Paraná é de 21, no entanto, estamos trabalhando abaixo de 20.
Caso ocorram geadas neste ano no Paraná, a situação vai ficar extremamente delicada'', diz ele. Existe, também, uma preocupação com o início da colheita em função do excesso de chuva para o período: ''Incialmente, isso pode acarretar uma perda da qualidade do café'', comenta Bacceti.
Comentando as perspectivas mercadológicas do café, o corretor enfatiza que o fator clima é altamente influenciável. ''Com a ausência do El NiÀo e La NiÀa no Oceano Pacífico, este ano, forma-se um corredor livre de barreiras climáticas, o que pode facilitar o fluxo de frentes frias e geadas'', explica.
O ano de 1975, por exemplo, foi caracterizado pelas perdas econômicas na cafeicultura brasileira em decorrência da geada. O Estado do Paraná totalizou quase 100% de perda nas colheitas, quebrando sua hegemonia na produção nacional. A seca de 1985 também prejudicou a demanda do produto. Em 2000, mais uma vez, o Paraná foi o grande prejudicado pelo fenômeno climático, sofrendo uma redução de aproximadamente 80% na safra 2000/2001.
Preços - Confrontando os dados do gráfico fornecido pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Deral), o setor cafeeiro, quatro anos atrás, encontrava-se. ''O café vem se recuperando. Há dois anos, o preço estava metade do que está. A produção desse ano é 35% maior que a do ano passado. Toda crise é cíclica'', comenta Margorete Demarchi, técnica do Deral.
A respeito da especulação criada sobre os preços do produto, Demarchi diz que existe uma preocupação com a alta do câmbio nas últimas semanas, em função de o Brasil ''ser o maior exportador do café do mundo''. Segundo ela, os compromissos assumidos, somados à qualidade do produto, mantêm o café brasileiro competitivo no mercado mundial. ''Nosso país deve colher uma safra razoável, mas também ajustada''.

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