Jota Oliveira
A geada é o principal fator limitante da cafeicultura no Norte do Paraná, principalmente depois da exaustão da fertilidade natural do solo da região, do envelhecimento dos cafeeiros e consequente perda de produtividade. Os cafeicultores conseguiam recuperar-se de uma geada, antes da ocorrência da próxima, dali a 5-6 anos, se fosse severa.
A produtivide baixou, a remuneração também. A cafeicultura já não podia recuperar-se, sozinha, de uma perda severa. Finalmente, em 1991, surgiu um novo modelo de cafeicultura especialmente para o Estado, e esse modelo poderá sofrer, no último ano do Século 20, seu primeiro teste, se forem confirmadas as previsões de forte resfriamento neste inverno. Quem plantou café desde aquele ano, seguindo a orientação do novo modelo, elaborado pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), tem mais condições de enfrentar o ‘‘teste’’.
O que é? Quando ocorre a geada?O Centro de Ensino e Pesquisa em Agricultura (Cepagri), da Unicamp (Campinas, SP) explica que ‘‘geada é a formação de uma camada de cristais de gelo ou na folhagem exposta, devido à queda de temperatura abaixo de 0º. A principal causa dessa geada é a advecção (N.R.: transmissão do calor pelo movimento horizontal de uma massa de ar - Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda) de massa de ar polar.
Segundo o Iapar, as geadas são classificadas em:
1 - severissimas (afetam toda a região cafeeira, independentemente da sua localização na propriedade; provocam a morte das plantas, que precisam ser recepadas, para se recuperar). Porém, geadas desse tipo, como a ocorrida em julho de 1975, foram registradas, segundo estudos feitos no Brasil durante 100 anos, de 30 em 30 anos.
2 - Severas (causam danos parciais ou totais nos cafeeiros localizados em áreas mais baixas, enquanto algum dano pode ocorrer nas plantações das partes mais elevadas; a produção do ano seguinte pode ser totalmente ou parcialmente afetada. Este é o tipo de geada, diz estudo do Iapar, que causa mais danos à cafeicultura, e contra ele são a maior parte das medidas de combate). Esse tipo de geada ocorre, na média, com intervalo de 5 a 6 anos.
3 - Moderadas(podem causar algum dano às plantas situadas nas partes baixas do terreno e pouco ou nenhum dano às plantas localizadas nas partes mais altas). Este tipo ocorre a cada 3 anos.
Ainda conforme os estudos feitos pelo Iapar, nas regiões cafeeiras do Paraná as geadas podem ocorrer de maio a começo de setembro, e o período com maior probabilidade começa na semana que vem: de 15 de junho a 20 de julho.
Ainda conforme os estudos feitos pelo Iapar, nas regiões cafeeiras do Paraná, as geadas podem ocorrer de maio a começo de setembro, e o período com maior probabilidade começa na semana que vem: de 15 de junho a 20 de julho.
As regiões brasileiras mais afetadas por geadas são o Sul (RS,SC e PR) Mato Grosso do Sul, Oeste e Sul de São Paulo, Serra da Mantiqueira (Norte de SP e Sul de MG), e, raramente, Sul de Goiás e Triângulo Mineiro.
Informa o Cepagri que geadas fracas ocorrem em noites de céu claro, sem ventos, em baixadas, com temperatura do ar ao redor dos +4 ou +5C; geadas moderadas, com temperatura entre +2 a +3C; severas, entre 0 e 2C. ‘‘Nessas condições as folhas vegetais mais expostas atingem temperaturas cerca de 5C mais baixas do que no ar’’. Cada cultura tem um determinado grau de resistência ao frio: folhas de café e cana morrem com -3,5C; citrus, de -6 a -7C; tomate e verduras aos +2C; banana e mamão morrem aos +5C.
Olho no termômetroEm noites propícias a geadas (céu claro, vento calmo) o produtor de café, hortaliças ou qualquer outra cultura da época, deve ficar de olho no termômetro, para saber se vai mesmo gear. Existe um macete para isso, informam os pesquisadores: ‘‘o gradiente de queda noturna das temperaturas do ar e das folhas aproxima-se de 1 grau por hora, das 17 às 6 horas.
Então, deve-se observar o termômetro, na verdade, antes de escurecer. Com termômetro comum, medem-se as temperaturas na copa da cultura (nível das folhas externas superiores). O termômetro deve ser colocado a 10 cm das folhas, exposto ao céu e se começa a observar as temperaturas perto das seis horas da tarde. Se estiver ao redor dos 9 graus, com céu limpo e baixa umidade, a temperatura às 6 da manhã estará por volta dos -3C nas folhas, ‘‘podendo danificar cafeeiros’’; se estiver em 12C, às 6 da tarde, chegará a 0C, às 6 horas do dia seguinte, e danificará plantas hortícolas. Deve-se acompanhar a queda das temperaturas de hora em hora, até meia-noite.
Caso se confirme a diminuição de 1 grau por hora, o melhor método de proteção direta é a irrigação (aspersão, alagamento, regador), iniciando após a comprovação da queda da temperatura até nível letal. Métodos de proteção física como cobrir as mudas ou plantas com jornal, sacos de papel ou plásticos também são eficientes, afirma o Cepagri, que adverte: ‘‘Nada se pode fazer após o nascer do sol, pois as plantas são danificadas antes disso, durante a madrugada’’. E derruba um mito, ao afirmar que ‘‘de nada adianta também queimar pneus ou fazer fumaça apenas.’’
A fumigação, que chegou a ser muito utilizada no Norte do Paraná, revelou-se inútil, devido, entre outros motivos, à derivação: o produtor faz um fumaceiro sobre seu cafezal, a fumaça é levada pelo vento leve, vai parar no fundo de um vale sem plantação de valor econômico. E o cafezal permanece sujeito à geada.Sob ameaça de geada prevista a curto prazo, algumas medidas podem ser tomadas preventivamente
DesprotegidoCafezal atingido por geada severa, no Norte do ParanáMilho-safrinha ‘‘queimado’’ pelo frioSe não chegar perto, não dá para saber que isto é um pé de chuchuBananeiras morrem sob 5 graus positivosChegar terra ao pé do cafeeiro novo, um dos métodos preventivos

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