Geada mostra importância da roça
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quinta-feira, 27 de julho de 2000
Jota Oliveira De Londrina 
Ontem foi o Dia do Agricultor, num momento em que a agricultura vai mal, fustigada pelo frio, geadas sucessivas que destruiram lavouras e/ou produção em todos os segmentos da agropecuária. A grande alavancadora do desenvolvimento é a agropecuária. Quando a agricultura vai bem, nós todos vamos bem, lembra o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, a propósito daquela data e dos problemas climáticos que vêm assolando a produção primária.
Embora sejam importantes, os acidentes climáticos não são os únicos problemas da agropecuária. Galli lembra que em uma época ocorrem esses fenômenos naturais, noutras e esse é um problema crônico faltam recursos financeiros, falta preço, porque não existe uma política para o setor.
FundamentalPara enfrentar essa situação, na opinião do presidente da Sociedade Rural do Paraná, o agricultor precisa agir, considerando que a agropecuária é fundamental para o Brasil. Ele diz que o resultado das balanças de pagamento, ea sustentação de diversos planos de economia inclusive do Plano Real são provas disso.
O que o agricultor precisa, na opinião de Galli, é mostrar para a sociedade urbana que um desastre como o climático não é que é um prolema só de emprego rural, de nossa renda, mas reflete na geração de empregos na cidade, onde estão as fábricas por exemplo, de tratores e de caminhões.
Se não plantarmos, essas indústrias vão produzir o quê?, para quem?, acrescenta, lembrando que mais de 50% dos caminhões do Brasil são utilizados no transporte de safras. ter caminhão pra que, se não produzirmos?, comenta o presidente da Socieidade Rural.
Cobrança e sugestõesGalli observa: o agricultor que está produzindo, é esse que está tomando a geada. Esse produtor, propõe o presidente da Rural, deve entender sua importância e depois cobrar do Governo uma atitude de apoio, para o produtor rural superar os prejuízos causados pelo clima e poder voltar a aproduzir.
Terça-feira da semana passada, 18/7, enquanto aguardava em Maringá a chegada do governador Jaime Lerner, o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, disse ao ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, quais medidas deveriam ser tomadas com urgência, para aliviar um pouco a situação do produtor.
Galli disse que, para evitar a quebradeira no campo, em primeiro lugar é preciso esticar o perfil da dívida, injetar dinheiro novo para que o lavrador continue na atividade, considerando que em alguns setores a frustração de safra é total. Ele lembrou que o produtor já vinha sofrendo com o problema da seca e a esperança eram o trigo e o milho-safrinha, que também foram seriamente danificados pelas geadas.
O Ministro, disse Galli, admite que devem ser liberados recursos de tal monta que, ao invés de prorrogar dívidas, eles possam pagar as dívidas vencidas ou a vencer, e tocar as próximas safras. Galli lembrou que foi considerada também esta questão: não adianta liberar linha de crédito, se a pessoa que deve ao Banco do Brasil maior fornecedor de crédito rural tem limite cadastral.
Quando o produtor está próximo ou já se acha neste limite, não tem jeito mais de angariar recursos. Por isso, a Rural pleiteou a Pratini de Moraes a liberação dos recursos de emergência sem considerar cadastros, para não pesar no cadastro do cidadão, porque provavelmente muita gente não vai conseguir ter acesso aquele recurso.
Café e pressãoPratini manifestou-se, em Maringá aonde foi para ver os efeitos das geadas sobre a agricultura otimista quanto à comercialização do café, em função da geada. Mas, a Sociedade Rural do Paraná pediu recursos para que o produtor não apenas o comerciante o exportador também possa beneficiar-se da alta, para que o ganho não fique no meio do caminho. Galli observou que é necessária uma linha de financiamento de pré-comercialização.
É preciso um volume muito grande de recursos e, para consegui-los, Galli ressaltou que é preciso pressionar o governo Federal, incluindo um posicionamento do Governador e da bancada paranaense no Congresso. Não interessa côr partidária; se não for assim, acho que não sai nada.
Os danosGalli informou que, segundo sociedades rurais regionais, o milho-safrinha levou pancada violenta. O que foi plantado antes da seca, pode sobreviver. Porém, a seca tinha sido prejudicial e o milho deve perder perder 10% (?) da colheita antes prevista. Do café, fala-se em 80-90% de quebra na safra do ano que vem e 20-30 nesta safra, devido a regiões que estavam com grande número de grãos verdes.
A fruticultura, comentou Galli, também sofreu. Um produtor de Cornélio Procópio a colher mil toneladas de pêssego e perdeu tudo. Da cana, que já não tinha crescido muito durante a seca, queimou-se a gema apical e ela começou a se deteriorar de cima pasra baixo. Também houve perdas importantes no trigo e nas pastagens.


