Além de todo o problema de mercado desfavorável e falta de tecnologia, dois fatores climáticos estão sendo decisivos para que muitos produtores deixem a cultura ou reduzam sua área. As chuvas de junho prejudicaram a qualidade do café desta safra e a geada do dia 24 de julho dizimou completamente a safra do ano que vem.
A Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab) ainda não divulgou os números oficiais do que pode acontecer em 2014. Segundo informações preliminares do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), as perdas da próxima safra, com potencial anteriormente estimado em 1,8 milhão de sacas, podem chegar a 50%. Na principal região produtora, que abrange de Cornélio Procópio a Santo Antonio da Platina, a produção que seria de 1,2 milhão de sacas, deve ficar entre 400 mil e 450 mil sacas.
O coordenador estadual da Câmara Setorial do Café, Paulo Franzini, explica que a geada não compromete de forma significativa a safra em curso, mas os reflexos serão inevitáveis no ano que vem. "Alguns cafeicultores, por todo o cenário, já estavam propensos a abandonar a cultura. A geada acabou sendo apenas o fator decisivo."
Só para ter uma ideia do que esta intempérie foi capaz de provocar, em locais em que seria possível colher 30 sacas por hectare - média acima da estadual -, o cafeicultor colherá, em média, nove sacas por hectare no ano que vem. "A pergunta que o produtor faz é se compensa conduzir uma lavoura por um ano sabendo que a produtividade será tão baixa. É melhor fazer um manejo de poda desta lavoura, para que ela não tenha produção em 2014, e pensar em 2015. Com isso, o potencial de quebra do ano que vem aumenta ainda mais, já que envolve não apenas o estrago da geada, mas também essa possibilidade de manejo", salienta Franzini. (V.L.)

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