Em 2013, os pequenos produtores de Apucarana sofreram um golpe violento no campo. Uma geada ocorrida em julho que atingiu o Norte do Paraná devastou 70% dos cafezais do município, que, erradicados, deram espaço para as culturas da soja e milho.

Mas a mudança incomodou a prefeitura da cidade, que resolveu apostar em uma iniciativa inovadora que além de incentivar a diversificação no campo, melhora a renda do produtor, fomenta a conservação de solo e ainda fortalece e oferece alimentos saudáveis às escolas do município. Nascia o Programa Terra Forte, finalista do prêmio MuniCiência.

A ideia é simples, mas altamente motivadora. Por meio de uma lei de incentivo criada em 2014, o programa oferece mudas de frutas de qualidade aos pequenos produtores - maracujá, uva, manga, goiaba, caqui, figo, morango, banana, abacate e atemoia - bem como fornece calcário e fosfato natural para controle do solo, além de orientação do trabalho por dois técnicos do município. Em contrapartida, quem recebe esse pacote tecnológico paga oferecendo produtos das primeira e segunda colheitas para a merenda escolar. O restante pode ser comercializado como quiser, em feiras, Ceasas, etc.

O relatório do projeto do último dia 10 de abril já aponta o impacto dos resultados: até agora foram entregues mais de 9 mil mudas, gerando 95 toneladas de frutas e hortaliças na merenda escolar, afinal, o produtor pode pagar com outros produtos, caso ocorra alguma adversidade na produção. Até aqui, 266 produtores participam do Terra Boa, já recebendo mais de duas mil toneladas de calcário e também algumas mudas subsidiadas na cafeicultura, para quem não quis sair da atividade. Vale ressaltar: a fruticultura é o carro chefe.

O secretário da agricultura do município, José Luiz Porto, salienta que todas as mudas foram compradas por processo de licitação com viveiros, além do calcário e o fósforo. "Nossa ideia é que o agricultor aumente sua renda, por isso existe uma quantidade mínima para ingressar no trabalho, de pelo menos 150 mudas e assim gerar uma renda fixa para eles. Além da renda, queremos gerar qualidade de vida, dignidade e fomentar a sucessão familiar. Os filhos que ficarem no campo precisam ganhar dinheiro", salienta ele.

O secretário relata que um dos grandes desafios do projeto é fazer com que os pequenos produtores persistam na atividade, afinal boa parte das frutas chegam em médio e longo prazo. "A fruticultura é uma mudança de conceito que precisamos ter. Um hectare em alta produção é dez, vinte vezes mais rentável que um hectare de soja ou milho, além de uma maior longevidade produtiva."

Em meio às frutas, o pequeno agricultor pode apostar no feijão, mandioca, e outras atividades que fortaleçam o trabalho. "O que pedimos ao produtor é um hectare. Ele pode apostar em outras coisas e ter a fruta em conjunto. Só para ter uma ideia, para cultivar 1 hectare de hortaliça, precisamos de oito a 10 pessoas para cuidar dessa área. Com a fruta, são de três a cinco dependendo da variedade e ainda com mão de obra familiar." (V.L.)

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