T R I G O
GASTO COM INSUMOS VOLTA A CRESCER
O orçamento da lavoura de trigo vai voltar a crescer na safra 2000/2001. Ao menos é isto o que indica a análise dos preços dos principais produtos da lavoura do trigo em fevereiro deste ano, comparados aos preços em fevereiro do ano passado, valores estes que servem para indicar o desembolso previsto com a lavoura neste ano.
O orçamente foi realizado para um hectare de trigo no sistema de plantio direto, produtividade esperada de 40 sacas por hectare, usando semente fiscalizada. A adubação de base considerada é de 250 kg de formulado (05-25-25) e 80 kg de uréia em cobertura. Está prevista uma aplicação de inseticida e duas de fungicida, além dos herbicidas recomendados.
O desembolso na aquisição destes itens totaliza R$336 por hectare, contra R$295,30 no mesmo período do ano passado. Um aumento de 13,8% só na compra dos insumos.
Combustível 41% mais caro
O preço do diesel no último mês de fevereiro no Paraná foi de R$0,62/litro, segundo levantamento (mensal) do Deral. Este valor é 40,9% maior do que em fevereiro do ano passado. A reboque do aumento do combustível e das máquinas e equipamentos, foram também outros itens relativos à conservação e reparos de máquinas e equipamentos que, no final das contas, elevaram o custo variável das operações mecanizadas da lavoura em 23,3%.
O custo variável parcial, que inclui os gastos com insumos, conservação e reparos de máquinas, implementos e benfeitorias e combustível em fevereiro deste ano soma pouco mais de 386 reais/ha, 14,8% a mais do que na safra anterior. O custo variável total por hectare resulta 14,4% maior do que em fevereiro do ano passado.
O preço de equilíbrio para a produtividade esperada de 40 sacas por hectare passa a ser de R$12,70/sc, valor mínimo para que o produtor possa receber de volta o que gastou para produzir (neste orçamento). O preço nesta entressafra está abaixo disto (R$12,45/saca).
Para desembolsos com o trigo semelhantes ao valor apresentado, o preço mínimo precisa estar igual ou acima de R$211,67, para que os mecanismos de PEP ou outro instrumento possam ser de alguma utilidade para os triticultores paranaenses na eventualidade de preços de mercado abaixo do custo de produção.
TABELA - ESTIMATIVA DO CUSTO VARIÁVEL DE UM HECTARE DE TRIGO, SISTEMA PLANTIO DIRETO, FEVEREIRO DE 1999 E 2000.
Produtividade esperada de 40 sacas/ha
DESCRIÇÃO - R$/ha (Fev/99) - R$/ha (Fev/00) - Var% -
CUSTO VARIÁVEL - - - -
Insumos - 295,26 - 335,99 - 13,8 -
Mão-de-obra temporária - 4,14 - 4,53 - 9,4 -
Conservação e reparos - - - -
- Máquinas - 16,88 - 18,71 - 10,8 -
- Implementos - 4,04 - 4,64 - 14,9 -
- Benfeitorias - 0,77 - 0,77 - 0,0 -
Combustível - 15,37 21,66 - 40,9 -
Custo variável parcial 336,46 - 386,30 - 14,8 -
Frete externo - 13,46 16,51 - 22,6 -
Recepção, secagem e limpeza 9,60 - 9,60 - 0,0 -
Impostos variáveis (Funrural) 10,56 - 10,56 - 0,0 -
Assistência técnica - 6,98 - 8,04 - 15,1 -
Seguro de produção (Proagro) 31,42 - 36,18 - 15,1 -
Juros sobre capital de giro 31,07 - 35,78 - 15,1 -
Despesas gerais - 4,40 - 5,03 - 14,4 -
Custo variável total 443,96 508,01 - 14,4 -
Custo Variável R$/sc - 11,10 - 12,70 - 14,4 -
FONTE: AGROMARKET
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]
A L G O D Ã O
PRODUTIVIDADE MENOR NO PARANÁ
A colheita de algodão no Paraná chegou a 11% da área plantada (perto de 51 mil hectares) esta semana, segundo levantamento do Deral. A maioria das lavouras está classificada entre médias (41%) e boas condições (51%), ficando apenas 8% consideradas como em condições ruins.
A produção paranaense está estimada ao redor de 106,4 mil toneladas de algodão em pluma, 2,7% a menos do que na safra anterior, apesar do aumento de quase 6,5% na área plantada. A produção menor é fruto da redução esperada de 8,6% na produtividade.
A produtividade do algodão este ano deve reduzir em quase todas as regiões produtoras no Estado, com duas exceções mas ambas apresentam pequena participação na produção estadual.
Entre as principais regiões produtoras, as perdas variaram de 7,5 a quase 18%. No geral, ponderando as perdas pela participação de cada região na produção estadual a produtividade reduz em 8,6%.
A produtividade média esperada no momento é de 333,33 arrobas de algodão em caroço por alqueire, contra 364,73 arr/alq na safra anterior e acima da média histórica do Estado da década de 90. Sinal de que a cultura está mudando de tecnologia e de que a cultura possa ter outro desempenho na agricultura paranaense.
Preços
A colheita está começando mas os preços não estão cedendo nem no Paraná nem no mercado nacional, como revela o comportamento do indicador do algodão Esalq/BM&F. De janeiro até esta semana, o preço em reais por libra-peso medido pelo indicador, reduziu apenas 1,46% no valor para pagamento à vista.
O valor de R$98,95/lp de meados desta semana é 1,49% inferior ao valor praticado no ano passado e quase 20 centavos de real acima do valor observado nesta mesma época do ano de 1998. Bons ventos.
Argentina
Nesta safra 99/00 a área plantada na Argentina caiu para menos da metade do que foi cultivado na safra anterior. De 751 mil hectares ocupados com algodão em 98/99, agora a área não chega a 341 mil hectares. A colheita está no início e a expectativa é de produtividade também abaixo da média do País.
A situação dos produtores argentinos não está das melhores. Tanto é assim que começam a circular estudos sobre os incentivos dados à produção de algodão no Brasil, em especial na região Centro-Oeste.
A preocupação, desde já, com o aumento da competitividade da produção brasileira de algodão, já é um bom sinal para o Brasil que tem muito mais alternativas econômicas, tanto no mercado interno quanto externo, do que a Argentina, que está sofrendo bastante com a retração nas importações brasileiras.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
E-mail: [email protected]
CAFÉ
ADOÇÃO DE MEDIDAS POLÍTICAS
O mês de março está sendo bastante tumultuado em todos os aspectos para o mercado cafeeiro. Dentre os fatos ocorridos neste período estão os problemas com as exportações, queda nos preços e a política de retenção do café. Devido a isso, medidas políticas precisam ser adotadas para garantir a sustentação do mercado, principalmente neste ano de queda de safra.
Com relação aos problemas com as exportações, tem-se que o Governo brasileiro já adotou uma medida reduzindo o prazo de registro de venda para exportação de café em 30 dias. A medida tomou de surpresa os exportadores os quais tinham, antes desta medida, 60 dias além do mês de registro. Segundo informações do Governo, a medida visa impedir os exportadores de garantir o direito de venda externa do produto antes de uma política internacional de retenção do café.
Como se não bastasse o problema dos preços baixos, as exportações de café no mês de fevereiro tiveram uma redução de aproximadamente 28%, em comparação a fevereiro de 1999. As vendas totalizaram 1,32 milhão de sacas. Com relação à receita dessas vendas, a queda comparativa ao ano passado foi um pouco menor, cerca de 25%, num total de US$156 milhões de receita no mês que passou. O preço médio ficou em US$118 em fevereiro, conforme o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé).
Retenção de café e os preços
O mês de março foi bastante instável no que diz respeito a preços. No início do mês o preço no mercado paranaense estava em queda, passando a subir nas últimas duas semanas, sendo que os preços diários mostram mais claramente esta gangorra dos preços, com variações muito grandes de um dia para outro.
O problema atual dos preços do café já foi abordado mais de uma vez nesta Folha Agromercado (ver artigos anteriores), e sabe-se que os preços estão caindo, ou estão baixos, mesmo diante de uma estimativa de safra nacional e mundial menor do que a de anos anteriores. Esta situação levou os países produtores a cogitar uma política de retenção de café para forçar a uma subida de preços para algo em torno de US$150 por saca. Vejam que o preço médio de exportação em fevereiro, citado anteriormente, ficou em apenas US$118.
A Associação dos Países Produtores de Café (APPC) pretende discutir nas próximas semanas um plano, a ser adotado pelos 14 países membros, de retenção de produto para ser implementado já no mês de maio quando, por exemplo, o Brasil estará fazendo a colheita da sua safra.
Maurício Vaz Lobo Bittencourt - Prof. Dept. Economia da UFPR
E-mail: [email protected]
S O J A
HORA DE CONTABILIZAR AS PERDAS DE PRODUTIVIDADE
Com a colheita da soja já em ritmo bastante adiantado nas regiões mais no Norte do Estado, é hora de contabilizar as perdas de produtividade das lavouras, que nessas regiões sofreram bem mais com o clima adverso do final do ano passado.
Segundo dados do Deral (Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná), a produtividade média da soja nesta safra deve cair 10,4% em relação à safra anterior, passando de 2,78 para 2,49 toneladas por hectare.
As perdas no rendimento, porém, serão bastante expressivas em algumas regiões do Estado, com destaque para as regiões Oeste e Norte que devem registrar quedas de produtividade de 19,2 e 16,7%, respectivamente.
Na região Norte merecem destaque as quedas de produtividade nas microrregiões de Londrina e Cornélio Procópio, com reduções estimadas em 30%, seguidas por Maringá e Cascavel com perdas na ordem de 11%, conforme mostra o gráfico ao lado.
A produtividade também deve ser menor nas regiões Centro-Oeste e Noroeste do Estado, com perdas médias na ordem de 7,6 e 7,7%, respectivamente.
Dos 18 núcleos regionais (segundo divisão adotada pelo Deral), apenas 5 terão acréscimo de produtividade: Pato Branco (+9,9%), Ponta Grossa (+4,8%), Guarapuava e Francisco Beltrão (+1,8%) e Ivaiporã (+0,8%).
A tabela de produtividade apresenta o rendimento médio da soja segundo as diferentes regiões do Estado, comparando o desempenho desta safra com o obtido na safra anterior.
Por sua vez a outra tabela mostra a importância relativa das diferentes produções regionais no total do Estado, onde se destaca a expressiva queda de participação das duas principais regiões produtoras, no caso, o Oeste e o Norte do Paraná, que no ano passado responderam, em conjunto, por 55,2% da produção estadual (de 7,71 milhões de toneladas) e nesta safra devem participar com cerca de 51,2% (sobre os 7,06 milhões de toneladas a serem produzidos em solo paranaense). Isso representa, para essas regiões, uma perda em produto de aproximadamente 10,7 milhões de sacas e uma perda em receita de aproximadamente R$180 milhões de reais.
Em contrapartida, as demais regiões tiveram aumento de participação na produção estadual, apesar de algumas delas terem experimentado quedas de produtividade, como é o caso das regiões Noroeste e Centro-oeste, cuja produtividade deve cair em torno de 7,7%.
Melhor sorte apenas nas regiões Sul e Sudoeste, cujo rendimento deve aumentar 2,7 e 6,4%, respectivamente.
Preços
Conforme tendência apontada anteriormente, os preços da soja recuaram mais um pouco nessa semana, atingindo o patamar médio de R$17/saca no Estado. A tendência de preços é de menores perdas daqui em diante, pois o mercado parece estar próximo do nível de preço de equilíbrio para este período de colheita.
TABELA VARIAÇÃO DE PRODUTIVIDADE DA SOJA SEGUNDO DIFERENTES REGIÕES DO ESTADO DO PARANÁ, SAFRAS 98/99 E 99/00.
Safra 98/99 - Safra 99/00 (2000 sobre 1999)
REGIÕES - PRODUTIVIDADE (kg/ha) - VARIAÇÃO%
Norte - 2.705,9 - 2.185,6 - - 19,2 -
Centro-Oeste - 2.870,0 - 2.650,0 - - 7,7 -
Noroeste - 2.585,9 - 2.389,1 - - 7,6 -
Oeste - 2.999,5 - 2.499,7 - - 16,7 -
Sudoeste - 2.402,9 - 2.557,3 - 6,4 -
Sul - 2.739,7 - 2.814,6 - 2,7 -
Total - 2.779,7 - 2.491,5 - - 10,4 -
Fonte: SEAB/DERAL, março/2000
TABELA - PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DE DIFERENTES REGIÕES NA PRODUÇÃO PARANAENSE DE SOJA, SAFRAS 98/99 E 99/00.
REGIÕES - PARTICIPAÇÃO% NA PRODUÇÃO -
Safra 98/99 - Safra 99/00 -
Norte 26,1 - 24,5 -
Centro-Oeste - 16,3 - 16,5 -
Noroeste 2,1 2,5 -
Oeste - 29,1 - 26,7 -
Sudoeste 9,7 - 10,7 -
Sul - 16,7 - 19,1 -
Total - 100,0 - 100,0 -
Fonte: SEAB/DERAL , março/2000
José Roberto Canziani - Prof. da UFPR
E-mail: [email protected]