Gargalos para implementação
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de janeiro de 2017
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Para a viabilidade da agricultura sintrópica, existe uma necessidade grande de dedicação do produtor no sistema, com podas frequentes para produção intensa de biomassa. A poda é vista como um combustível para o sistema, pois aumenta a atividade nas raízes, com taxa fotossintética mais alta e mais carbono fixado. Esse sem dúvida, de acordo com o biólogo e produtor, Juã Pereira, é uma das grandes dificuldades, já que a falta de mão de obra é grande para o trabalho, incluindo quando se pensa na agricultura familiar.
Um dos grandes desafios de Ernst Götsch, portanto, está em criar máquinas mais leves e inteligentes para o trabalho do dia a dia dos produtores que apostarem nesse modelo, que os auxiliem a triturar, podar árvores, ceifar, colher no sistema, entre outras atividades. "Ernst tem conversado com pessoas influentes para colocar no mercado as suas invenções. Ele quer fazer isso na forma de domínio público para que todos possam utilizar o maquinário".
Juã explica ainda que o suíço criou um formato de trabalho que pode ser implementado em qualquer propriedade, de pequenas a grandes, mas que tudo isso depende das pessoas de fato investirem na agricultura sintrópica e ver como algo que pode transformar a prática
de fazer agricultura. "Hoje estamos limitados pelo desenvolvimento de tecnologia, máquinas adaptadas, mas que em dois anos pode mudar se houver um investimento. Não podemos ficar dependendo apenas de pessoas físicas, como é o caso do Pedro Paulo Diniz, que resolveu investir num sistema de larga escala por acreditar na agricultura sintrópica. Hoje vejo com dificuldade que a sociedade aposte nisso. Acho que teremos que perder toda a biodiversidade, água, florestas e ficar com o solo pobre para se começar a pensar, olhar quem está fazendo e ver se ainda há possibilidade de uma recuperação". (V.L.)


