Na opinião do presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinocultura de Corte (ANPBC), Alexandre Turquino, um dos principais problemas da pecuária paranaense está na criação de vacas, o que influencia diretamente a produção de bezerros.
Segundo ele, não é possível criar vacas no sistema de confinamento, sendo necessário áreas maiores. "O problema é que no Estado a terra é muito cara e a agricultura, de modo geral, é mais rentável que a pecuária de cria. Isso fez que houvesse uma queda nas matrizes do Estado de uns seis anos para cá."
Essa movimentação fez com que o bezerro desmamado ficasse supervalorizado, e desde 2011 está sendo comercializado na faixa dos R$ 1 mil. Em contrapartida, a arroba do boi gordo só voltou a atingir preços melhores no ano passado, e agora está na faixa dos R$ 116, de acordo com informações do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab). "O aumento da exportação segurou a alta da arroba neste momento", explica Turquino.
Para melhorar a pecuária de matrizes no Estado, o presidente da ANPBC diz que o ideal seria um apoio do governo federal na implantação do sistema lavoura-pecuária. Ele comenta que mesmo nos morros, locais para onde a pecuária está sendo deslocada, a indústria madeireira está tomando o espaço da atividade. "Isso não acontece da noite para o dia. O agricultor não vai deixar de plantar soja para apostar na pecuária. Deve haver financiamentos ao longo prazo para que no inverno ele reforme espaços degradados. É algo super viável, pois se otimiza a criação de bezerros em áreas menores", complementa. (V.L.)

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