Garantia de qualidade
A maior parte da produção dos alimentos cultivados por pessoas ligadas à Associação Agroecológica São Francisco de Assis (Assis) é certificada por meio do selo participativo da Rede Ecovida. Segundo o presidente da Associação, Gelson Luiz de Paula, o núcleo Monge João Maria, que envolve cerca de 20 agricultores e está ligado à Ecovida, visita as propriedade para avaliar como os alimentos estão sendo produzidos, observam a limpeza do local e, inclusive, realizam a análise do solo, no sentido de conferir se há uso de agrotóxicos.
A certificação participativa, explica ele, é um sistema solidário de geração de credibilidade, onde a elaboração e a verificação das normas de produção ecológica são realizadas com a participação efetiva de agricultores e consumidores, buscando o aperfeiçoamento constante e o respeito às características de cada
realidade.
A certificação garante a qualidade de produtos que vão direto para entidades que atendem crianças, idosos e demais grupos em situação de insegurança alimentar, como um asilo em Irati, que atende quase 100 pessoas. Além da certificação da Ecovida, os alimentos que são recolhidos entre os produtores passam por um vistoria de nutricionistas dos municípios e também da nutricionista Karina Letícia Rat, que trabalha na Assis. Quando os alimentos chegam na cidade eles vão direto para a sede do Provopar (Programa do Voluntariado Paranaense) e de lá são separados e encaminhados para as entidades, somente depois de termos avaliado a qualidade deles, afirma Karina.
Ela também é responsável por visitar frequentemente as entidades atendidas e avaliar se os produtos realmente estão bons e atendem as necessidades do local. Também repassa orientações nutricionais sobre os alimentos às cozinheiras. Por meio das visitas também verificamos quais alimentos são mais consumidos e quais não são, para destinar melhor os produtos, acrescenta. No asilo, por exemplo, a poupa de amora é muito consumida para a fabricação de suco, já nas creches as crianças não gostam muito.
Na opinião, de Maria Prodaniuk, diretora de um asilo em Irati, os alimentos agroecológicos que chegam têm muita qualidade e são fundamentais para atender as necessidades das pessoas que vivem no local.
A gente sabe que são alimentos mais saudáveis, a forma como foram produzidos e que não foi usado veneno. Aqui, como são pessoas mais frágeis, que muitas vezes estão doentes, saber que podemos oferecer um bom alimento ajuda muito, confessa, revelando que muitas vezes vai direto nas propriedades da região buscar alimentos. Conheço pessoalmente muitos agricultores, diz. Maria reforça a essência do processo de produção ecológica, como observa o presidente da Assis, que é trabalhar envolvendo e fazendo o bem para toda a cadeia: quem produz e quem consome os alimentos. (E.Z.)





