Campos demonstrativos de algodão instalados em todo o Paraná indicam novos rumos para a atividade. Na safra 94/95 as áreas experimentais produziram em média 28% a mais do que as áreas dos produtores usadas comos testemunhas, tendo local onde a produtividade foi 68% superior.
Nas duas safras posteriores os experimentos tiveram continuidade, coordenados pela Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico (Coodetec), sediada em Cascavel. Sem um aumento significativo dos custos de produção, a produtividade nos campos de demonstração foi 94% superior à média do Estado. A produção alcançou 543 arrobas por alqueire, enquanto que a média gira em torno de 280 arrobas por alqueire.
Segundo o presidente da Coodetec, Irineo da Costa Rodrigues, a cooperativa central assumiu a responsabilidade de demonstrar aos produtores que o uso adequado de tecnologia poderia aumentar a viabilidade econômica da cultura. As tecnologias que ele destaca são a geração de novas cultivares e a colheita mecânica.
MelhoramentoAtravés da Coodetec, o cooperativismo agropecuário paranaense vem investindo desde l990 no melhoramento genético do algodão buscando rendimento e qualidade de fibra, além de adaptação à colheita mecânica. Este trabalho já apresenta um resultado prático, a linhagem OC-92183, que entrou no ensaio oficial na safra 95/96 e deve ser recomendada para plantio na safra 97/98. Segundo Rodrigues, 30 mil sacas de sementes estarão disponíveis para o próximo plantio em setembro.
Os dados apresentados por esta linhagem são altamente animadores. A produtividade média é 16,8% maior que o IAC-20; o rendimento da fibra é 4,6% maior que o PR-3; resistência da fibra, 11% maior que o IAC-20 e 2,4 maior que o PR-3; boa tolerância ao vermelhão-do-algodão e à mancha-preta. Esta cultivar também tem uma característica importante para a colheita mecânica: a primeira abertura de capulho acontece em 45,7% da área.
Situação brasileiraNo Brasil a área cultivada de algodão caiu de aproximadamente 2 milhões de hectares (ha) para 1,3 ha nos últimos cinco anos, e a produção de 900 mil toneladas baixou para 400 mil toneladas.
De acordo com análise feita pela Coodetec, a queda do algodão teve como consequências: a queda do faturamento no setor de serviços de US$ 25 milhões; queda na venda de insumos de US$ 120 milhões; queda na arrecadação de impostos de US$ 135 milhões.
Os custos com importação de algodão são de US$ 650 milhões por ano, e a redução de empregos foi de 255 mil no Brasil e 160 mil do Paraná.
Nos últimos quatro anos o número de produtores que deixou o campo é muito superior à meta de reforma agrária do Governo. O Brasil passou de 6º produtor mundial e 4º maior exportador para o segundo maior importador de algodão do mundo neste curto período.
Para tentar reverter esta situação, nestes últimos dias, nas várias regiões produtoras estão acontecendo dias-de-campo. Nos dias 29 e 30, aproximadamente 350 produtores participaram de dia-de-campo em Palotina, para conhecerem a nova variedade e analisar a colheita mecânica.

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