Ganho do produtor, questão maior
Jota Oliveira
De Londrina
Durante o ano passado o tema dominante na Sociedade Rural do Paraná foi o direito à propriedade e às reintegrações de posse de áreas invadidas no Estado. Em 2000 a 40ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (34ª Nacional e 8ª Internacional), que começa hoje no Parque Governador Ney Braga, em Londrina, mostra o novo enfoque das preocupações no campo: a melhoria da renda gerada pelos agropecuaristas.
Essa evidência é destacada pelo presidente da Sociedade Rural, Francisco Luiz Prando Galli. Ele ressalva que o problema do desrespeito à propriedade e às reintegrações ainda não foi resolvido como a Rural pretende, mas admite que houve uma melhora nisso, enquanto a associação preocupa-se também com a situação econômica do produtor. Isto para nós é fator fundamental, porque sem renda não há condições de permanecer na atividade produtiva rural, diz Galli.
Tecnologia e rendaConsiderando a tecnologia indispensável para melhorar a agricultura e a pecuária (consequentemente a renda proporcionada pelo campo), a Rural incluiu na programação de eventos da 40ª Exposição uma série de seminários, palestras e debates para discutir a relação melhor tecnologia-maior renda.
A pecuária é o aspecto mais notável das exposições agroindustriais de Londrina e tem se destacado pela diversidade de raças e melhoria genética nessa área. Estão presentes no Parque Ney Braga, por exemplo, raças básicas para o cruzamento industrial que deu origem ao novilho precoce e ao superprecoce.
Por isso, Francisco Galli aponta essa pecuária como modelo de tecnologia aplicada ao campo. Tanto que hoje abatem-se reses mais cedo, é oferecido ao consumidor um produto de melhor qualidade e mais abundante. A situação melhora também porque o Ministério da Agricultura já declarou o Paraná livre da febre aftosa e em maio a Organização Internacional de Epizootias (OIE ) deverá fazer o mesmo, ampliando a abertura do mercado mundial à carne bovina paranaense.
Além de facilitar as exportações, temos condições de oferecer ao mercado interno, que é o nosso grande mercado, um produto melhor. Mas, não adianta ficarmos trabalhando na melhoria do nosso plantel, na melhoria desse produto, se a agregação de valor que ele gera não chega ao agricultor. É isso que nós queremos discutir: mostrar que o produtor precisa participar da agregação de valores, seja pela instalação de agroindústrias, seja por apresentar um produto já quase pronto na linha final, na ponta do consumo. Agora nossa grande discussão passa a ser a renda do setor, ressalta.
QualidadeEste aspecto do agronegócio também será destacado na Exposição 2000. Galli aponta o Encontro Estadual da Cafeicultura Paranaense, que será realizado dia 12, a partir das 8h30, no Recinto José Garcia Molina: Estamos trabalhando para colocar a qualidade do café do Paraná no mercado e mostrar que estamos produzindo café bom.
Por isso, durante a Exposição haverá seminários; um evento importante do café porque estamos trabalhando bastante para colocar a qualidade do café do Paraná inserida no nosso mercado e mostrar que o Estado produz café de alta qualidade.
Qualidade pode ser vista também na iniciativa da Emater, a fazendinha onde, observa Galli, funciona ao vivo uma verdadeira escola de cidadania. É, acrescenta o presidente da Sociedade Rural, um exemplo de propriedade, de conservação de matas, de solos, enfim de como deve ser praticada a agricultura moderna, em que o Paraná é campeão.
Na fazendinha funcionará a fábrica do produtor, que dará cursos para os agricultores e outros interessados em aprender manipulação do leite, da carne, dos vegetais.
Economia mais estávelNeste ano o número de animais na Exposição de Londrina aumentou 30% em relação ao ano passado. Galli lembra que nesta época, em 1999, o País sofrera uma desvalorização cambial que trouxe uma incerteza muito grande tanto para o produtor rural quanto para o empresário de qualquer outro setor. Estava todo mundo na expectativa do que iria acontecer.
E, acrescenta Galli, a classe produtora também foi surpreendida. Neste ano a situação econômica e financeira do País está mais estável, nota, e explica: Como no ano passado o valor alcançado pelos animais superou a expectativa, isso gerou um grau de confiança muito grande do produtor e todos querem aproveitar essas boas oportunidades de comercialização. Talvez por isso estejamos superando o número de animais.
Galli diz que no setor de maquinaria e implementos também existe boa expectativa, porque Banco do Brasil e o Bradesco vêm dispostos a investir bastante na feira.
Por outro lado, devido à quebra causada pela seca nas culturas de verão, o presidente da Sociedade Rural espera que os preços subam, porque vai faltar mercadoria, e recomenda aos lavradores que não vendamm logo sua produção; que aguardem, para aproveitar. A Rural já pediu ao Ministério da Agricultura e ao diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, que sejam tomadas medidas para melhorar a comercialização, especialmente da soja, do milho e do gado, enquanto eles estiverem nas mãos dos produtores.
A resposta das autoridades foi a promessa do parcelamento das dívidas de custeio e a liberação de recursos de EGF que permitam a quitação das parcelas das dívidas.





