Gallassini é ''Guerreiro do Paraná''
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sexta-feira, 05 de julho de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão - Principal idealizador da Cooperativa Agropecuária Mourãoense, em 1970, e presidente da Coamo há 27 anos, o agrônomo José Aroldo Gallassini recebeu na semana passada o título de ''Guerreiro do Paraná''. A homenagem foi feita pelo Movimento Pró-Paraná e pela Assembléia Legislativa, em reconhecimento ao espírito empreendedor do presidente da maior cooperativa agrícola da América Latina.
Ao receber o prêmio, Gallassini surpreendeu ao fazer um discurso que não se limitou à agricultura e ao cooperativismo. Ele abordou oito tópicos que considera fundamentais para o desenvolvimento do País - reforma ensino, sistema de saúde, privatização, reforma tributária, reforma da previdência, reforma trabalhista, reforma judiciária e reforma política.
''Tivemos uma queda no nível do ensino público'', afirmou Gallassini ao pedir reforma na educação, o primeiro dos itens que abordou. Ele criticou o fato de somente alunos de classes mais abastadas conseguirem vagas nas universidades públicas. ''Temos que investir mais na preparação de nossos professores, dar-lhes melhores condições de remuneração e oferecer condições adequadas às escolas públicas''.
Na saúde, Gallassini lembrou que a CPMF foi criada para atender o setor, mas com o tempo teve seu valor aumentado e o destino alterado. ''Enquanto isso, estamos assistindo todos os dias intermináveis filas de doentes a espera de um tratamento condigno com o ser humano''. Ele sugeriu maior investimentos em saneamento básico, para eliminar fontes de doenças, e a melhor remuneração dos profissionais no setor.
Gallassini defendeu a política de privatizações e defendeu um Estado mais leve para tratar com eficácia os setores de saúde, educação, segurança, moradia e saneamento básico. ''O caminho está certo, mas temos que caminhar muito ainda'', frisou. Sobre a carga tributária, cobrou uma reforma urgente. ''É necessário reduzir o custo Brasil para que possamos ser mais competitivos dentro de uma economia global''.
Segundo Gallassini, uma carga tributária mais baixa e um sistema mais simples podem atrair os sonegadores para a legalidade. ''Sistema tributário bom é aquele que leva o maior número de pessoas a pagar o menor imposto possível'', disse. O presidente da Coamo também foi duro ao cobrar reformas trabalhistas. ''O paternalismo da legislação trabalhista está contribuindo para o aumento do desemprego no País''.
Para Gallassini, as relações entre patrões e empregados devem ser negociadas, evitando o acúmulo de processos na Justiça do Trabalho. ''A indústria da reclamação trabalhista tem que acabar''. O mesmo rigor ele usou para falar da necessidade de uma reforma no Judiciário. ôO excesso de instâncias e o excesso de recursos processuais são o grande problema do nosso judiciário", ressaltou.
O discurso do presidente da Coamo terminou cobrando reformas políticas. Ele lembrou que muitos problemas do País poderiam ser resolvidos através de mudanças políticas. ''Teremos que debater com bastante ênfase a fidelidade partidária, o voto distrital, instrumentos necessários para que o povo cobre de seus representantes ações eficazes na solução das reformas que defendemos e de outros problemas nacionais''.


