Gado precisa de proteínas no inverno
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sexta-feira, 10 de junho de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Chegou o frio e com ele as dificuldades dos pecuaristas em alimentar o gado. Apesar da tecnologia disponível atualmente, muitos produtores ainda se esquecem de planejar o inverno e acabam arcando com prejuízos desnecessários numa época em que o pasto perde seus nutrientes mais importantes.
O período de entressafra, que engloba os meses entre abril e setembro, é considerado o mais seco do ano pelos especialistas e compromete tanto a produção de carne como a de leite. Consequentemente, aumentam os custos para os criadores desprevenidos, que precisam utilizar suplementos alimentares para evitar, ao menos, que o rebanho perca peso.
Mas nem tudo está perdido, afirma o zootecnista Geraldo Moreli, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Ele acredita que aqueles que não se prepararam terão dificuldades em correr atrás do prejuízo, mas mesmo assim poderão tomar algumas medidas paliativas para evitar perdas ainda maiores. ''Tudo depende do que ele dispõe na propriedade. Se tem pasto e volumoso ou só pasto'', afirma Moreli.
Segundo o zootecnista, na seca, o pasto perde grande parte de sua concentração protéica, que normalmente gira em torno de 12% em épocas mais quentes. No inverno, este índice diminui pela metade, comprometendo a nutrição animal. ''Nesse caso, é necessária uma complementação alimentar composta principalmente por elementos protéicos para elevar a concentração de proteína no animal a 7%'', explica Moreli. Este índice mantém o funcionamento do rúmen, que possui microorganismos capazes de converter a proteína em gordura.
Se o objetivo é terminar o animal no pasto, o produtor precisa utilizar um concentrado na proporção de 1,2% do peso vivo do animal. ''Para abatê-lo em até 90 dias, é preciso oferecer mais ração e menos capim'', calcula Moreli. A proporção, de acordo com Moreli, deve ser de 50% de volumoso e 50% de ração concentrada. Isso remete a cerca de 20 quilos de silagem e cinco quilos de concentrado por dia para cada animal. ''Se ele plantou cana ou milho, essa é a hora de usá-los''.
Essa suplementação é ideal para a produção de uma carne de qualidade, assinala Moreli. Segundo ele, um bezerro de 200 quilos pode engordar até 75 quilos durante o inverno se alimentado com uma ração a base de proteína. No verão, este mesmo animal irá ganhar pelo menos mais 120 quilos no pasto e será abatido, ainda jovem, com até 400 quilos.
No caso de animais de recria e vacadas, a complementação deve ser feita com um sal proteinado. Para garantir um ganho diário de peso de 200 gramas, o animal precisa consumir até 300 gramas de sal proteinado. ''A função do sal também é de corrigir o nível de proteína da pastagem'', completa Moreli.


