Todo pecuarista que administra a fazenda como empresa sabe que é preciso providenciar uma alternativa para alimentar os animais durante o inverno. O período é seco, os pastos quase não crescem e ainda podem sofrer com as intempéries da época, como baixas temperaturas, falta de umidade, ventos e até geadas.
A dieta do rebanho pode ser reforçada com alternativas como silagem de milho, feno de capineiras, resíduos de grãos, sal mineral, entre outros. Há opção de implantar pastos de inverno, como a aveia. A decisão sobre a suplementação pode ser tomada junto com o técnico que auxilia na propriedade e deve-se levar em conta o sistema de produção e a disponibilidade desses produtos alternativos o mais perto possível da propriedade.
‘‘Nessa época a pastagem perde qualidade e, no cocho, além do sal mineral, é necessário incluir proteína e energia’’, avisa a pesquisadora Valéria Pacheco Batista Euclides, da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS).
É no período seco, continua Valéria, que os pecuaristas enfrentam os maiores problemas com a queda de produtividade do rebanho, principalmente, as criações em regime de pasto. ‘‘Oferecer aos animais somente pasto e sal mineral o ano todo não garante aumentos de peso, de natalidade e de produção de carne. Na seca então é indispensável a complementação alimentar para suprir a queda da qualidade da pastagem.’’
Quem não prepara alimento suplementar, dependendo do comportamento climático no inverno, muitas vezes tem que correr atrás de uma solução de última hora, pagando caro por isso; ou o que pode ser pior: descartar animais para evitar prejuízos maiores.
Nos trabalhos conduzidos pela equipe de nutrição da Embrapa Gado de Corte, segundo Valéria Euclides, sobre suplementação de bovinos em pastejo, os resultados têm sido satisfatórios, ou seja, os animais suplementados, adequadamente, ganham peso na entressafra, a idade de abate é antecipada e se produz o novilho precoce. ‘‘Esses resultados contribuem para uma maior produtividade do rebanho e rentabilidade do negócio.’’
A suplementação alimentar em pasto deve complementar o valor nutritivo da
forragem disponível de forma a se atingir o ganho de peso desejado, explica Valéria. Assim, fica evidente a necessidade de se ter estimativa de consumo e da qualidade da forragem. Ela chama a atenção para que o pecuarista possa conhecer as exigências nutricionais dos animais e que a escolha da suplementação deve ser fundamentada em uma análise econômica.

mockup