Referência em desenvolvimento de pesquisas, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) completa 40 anos na próxima semana e segue firme contribuindo para a melhoria do agronegócio brasileiro por meio do desenvolvimento de novas tecnologias. Atualmente, o instituto engloba 14 programas de pesquisas ligados a toda cadeia produtiva. Ao todo, são 252 projetos de investigação científica que fomentam mais de 600 experimentos - em andamento - realizados nas 19 estações experimentais e nos 25 laboratórios espalhados em diferentes regiões do Estado: Londrina, Curitiba, Ponta Grossa, Paranavaí, Pato Branco e Santa Tereza do Oeste. Para executar esses projetos, o Iapar conta com o apoio técnico de cerca de 700 funcionários, entre eles 53 mestres e 58 doutores.
Florindo Dalberto, presidente do Iapar, afirma que os investimentos em pesquisas e no corpo técnico para a realização de novos projetos não param por aí. ''Em quatro anos, nosso objetivo é dobrar o quadro de funcionários para acelerar ainda mais o processo de pesquisa'', aponta. Segundo ele, novas contratações já estão em andamento para que a base técnica do Iapar seja atualizada. ''Estamos nos preparando para a agricultura do século XXI'', destaca Dalberto. Para capacitar novos profissionais que atendam a essa crescente demanda, o plano diretor da entidade prevê implantar no próximo ano os cursos de mestrado e doutorado voltado para a agricultura conservacionista, com o foco na qualidade e produtividade.
Sempre contribuindo com o agronegócio e levando mudanças e novidades para os produtores, o presidente do Iapar revela que a nova etapa do instituto é fomentar a inovação tecnológica, principalmente no que diz respeito à biociência e ao melhoramento genético. Um exemplo disso é o estudo da primeira planta transgênica de laranja resistente ao greening e ao cancro cítrico que deve, em um futuro não muito distante, estar presente nos pomares paranaenses. ''Essas duas doenças podem comprometer o setor'', destaca Rui Pereira Leite, pesquisador da área de citricultura do instituto. A novidade segue o fluxo de trabalho do Iapar, que nos últimos anos desenvolveu novas variedades de frutas cítricas, mais produtivas e de melhor qualidade, e colocou o Paraná de volta a esse mercado. Desde a década de 1970, foram selecionados 20 novos materiais cítricos para atender a demanda do setor no Estado.
No campo da cafeicultura - e por onde as pesquisas do Iapar começaram ainda na década de 1970 - investimentos em biociência também estão previstos. Um dos atuais desafios da instituição é o controle de nematóides que, só na região de Londrina, estão presentes em 20% da área de cultivo. Para solucionar este problema, o Iapar vem trabalhando em novas variedades resistentes a esses vermes como a IPR 101, que será lançada no final deste mês e também a IPR 106, ainda sem data de lançamento. Essas tecnologias, segundo os pesquisadores da entidade, garantem segurança ao produtor quanto à sanidade das lavouras.
Para que essas novas variedades tenham um melhor desempenho, outro segmento que está na pauta contínua do Iapar é o manejo adequado de solo. O pesquisador Ademir Calegari afirma que os desafios nesse campo nunca cessam. Segundo ele, o setor está em constante transformação e, por isso, as pesquisas em novas técnicas são fundamentais para perpetuar toda e qualquer atividade. O próximo desafio do Iapar nesse campo, conta Calegari, é elevar os investimentos na área de biologia do solo. ''Muitos estudos já estão em andamento'', completa.

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