Futuro é de plantas transgênicas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de outubro de 1997
Cláudia Barberato 
CrescimentoSafra deste ano será maior, saltando de 59 mil hectares plantados para 101,3 mil hectaresPlantas com maior resistência ou tolerância a pragas e doenças. Qual o agricultor que não sonha com isso? De acordo com os técnicos do setor algodoeiro este sonho pode estar próximo de ser realizado. Este tipo de planta deverá chegar ao campo num prazo de cinco anos. A informação é do pesquisador da área de melhoramento de algodão da Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico Ltda (Coodetec), em Cascavel, Delano Gondim.
De acordo com o pesquisador, o desenvolvimento de plantas transgênicas no algodão foi um dos assuntos discutidos no 1º Congresso Brasileiro de Algodão Irrigado, realizado no final de setembro em Fortaleza (CE).
Variedades resistentesO agricultor terá, em cinco anos, novas variedades no mercado, com resistência a lagartas e bicudo. De acordo com Gondim, já existem plantas com tolerância a lagarta da maçã, através do uso do gene BT, colocado dentro da planta. Esse gene é proveniente de outras espécies, não vegetais, colocado pelos cientistas na planta do algodão para torná-la tolerante ou resistente a lagartas.
Engenharia genética estuda plantas resistentes ao bicudo, pior praga do algodoeiro
O resultado é uma redução na aplicação de inseticida. Nos Estados Unidos, por exemplo, o uso dessa tecnologia reduziu o número de oito para duas aplicações, garante Gondim. Além da lagarta da maçã, este produto, segundo ele, tem mostrado alguma eficiência também contra o curuquerê e lagarta rosada.
Outra tecnologia já disponível experimentalmente é a de plantas resistentes ao roundup. O agricultor terá disponível um produto para aplicar na planta de até cinco folhas, sem causar danos a cultura, para o controle do mato. Estes dois genes foram desenvolvidos pela Monsanto. A empresa já tem no mercado as variedades, mas as instituições interessadas em desenvolver pesquisas com estes gens deverão fazer uma parceria ou ter autorização para uso do material.
A Coodetec, através de convênio com o CIRAD, instituição francesa com objetivo de desenvolver pesquisa em agricultura tropical, vai testar uma terceira variedade, proveniente da engenharia genética, resistente ao bicudo. É um gen sintético inibidor de protease, enzima que degrada os alimentos. Quando ingerida pelo inseto causa certo desarranjo intestinal matando a praga. Os testes, de acordo com o técnico, deverão durar mais um ou dois anos e, num prazo aproximado de cinco anos, a variedade também deverá estar disponível para cultivo.
Arquivo FolhaUso de reguladores de crescimento e desfolhantes deverão garantir colheita com qualidade
Tecnologias de cultivoNesta safra, além do zoneamento agrícola como novidade, o agricultor tem variedades diferentes para o cultivo. Uma das variedades é a Coodetec 401, desenvolvida pela Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico Ltda (Coodetec), em Cascavel, e indicada para cultivos no Paraná e no sul do Mato Grosso do Sul. Gondim avisa que a única restrição de cultivo para a variedade é a presença de nematóides no solo.
O cultivo do algodão também poderá ser feito com as outras variedades já indicadas pela pesquisa como a Iapar 71, IAC 22, IAC 20, no caso do Paraná. No Brasil Central são indicadas a Ita 90 e Deltapine Acala 90 para uso de média e alta tecnologia (culturas mecanizadas do começo ao fim, inclusive a colheita). Como estas duas variedades têm problema de viroses, alerta Gondim, o agricultor deverá ter maior atenção na aplicação de inseticidas para controle do pulgão.
A Coodetec 401 deverá ser plantada no Paraná e Mato Grosso do Sul, visando aplicação de média e alta tecnologia, avisa o técnico. A maior parte das áreas, segundo ele, deverá ser toda mecanizada. No Paraná calcula-se que a variedade colocará no mercado uma produção de 15 a 20 mil sacos de algodão, o que representa plantio de 30 a 35 mil hectares.
Quando se fala em média e alta tecnologia pressupõe-se que o agricultor faça o essencial desde o plantio bem feito, adubação de acordo com análise do solo, uso de inseticidas mediante o manejo integrado de pragas e uso de reguladores de crescimento, produto que vai fazer interação entre o crescimento da planta e a carga do algodão. A planta não terá um desenvolvimento excessivo e a energia gasta neste crescimento será utilizada para a produção. Vai existir um balanceamento entre a produção e o crescimento. Com isso haverá uniformização da abertura dos capulhos, maçãs, importante para a colheita mecânica, garante Gondim, afirmando ainda que a colheita da 401, por exemplo, também pode ser feita manualmente.
Ainda na adoção de tecnologias de cultivo, avisa Gondim, o agricultor deverá aplicar, no final da safra, os chamados desfolhantes para derrubar as folhas e promover uma antecipação da colheita. Com isso consegue-se tirar o algodão mais rápido da lavoura para evitar prejuízo com o clima. Mas ele alerta que a antecipação da colheita deverá ser feita de forma monitorada e escalonada.


