"Quanto mais cresce o setor, mais difícil fica a superação dos desafios", afirma o chefe-geral da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias. Com os grandes avanços em pesquisa em soja atingidos nos últimos anos, os incrementos também passam a ser menores, o que faz com que o cenário exija ações de longo prazo por parte dos produtores, como o manejo e a conservação do solo para a sustentabilidade do negócio por muitos anos. Por outro lado, os pesquisadores buscam se preparar para necessidades de mudanças climáticas, como uma soja mais resistente à seca e um produto com maior qualidade nutritiva, por exemplo.
Farias afirma que novos transgênicos sempre vão surgir, bem como novidades também para o tipo convencional de semente. "Mas a sustentabilidade tem de ser construída desde hoje, procurando preservar esse recurso natural que é o solo. O Paraná já teve um programa muito bom de manejo e conservação do solo e perdemos muito disso. O Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) tinha um trabalho excepcional nessa área, é bom que se destaque."
O pesquisador Amélio Dall'Agnol, da Embrapa Soja, lembra que algumas tecnologias estão mais consolidadas, como o plantio direto, que já ocorre há 30 anos. "A integração lavoura e pecuária é relativamente nova e nesse campo ainda vamos avançar muito e na qualidade. É possível avançar na produtividade, mas a engenharia genética deve buscar transgênicos que vão conferir mais qualidade ao óleo, maior quantidade de proteína e de maior qualidade", conta. "Acho que vamos avançar mais na qualidade do produto, não tanto nas tecnologias de produção", completa.
Papel que a Embrapa deve continuar a exercer, para garantir a soberania do País em sementes e a autonomia na produção agrícola, conta Farias. Apesar de destacar que não tem problema com transgênicos, ele cita que é ampliar o foco também para cultivares convencionais, que podem ser necessárias ao mercado. "A genética convencional da Embrapa está nos mesmos níveis do melhor transgênico que se encontra por aí ou melhor e nos preocupamos em garantir ao Brasil uma base genética capaz de atender qualquer necessidade futura."
A Embrapa Soja tem hoje um dos três maiores bancos ativos de germoplasma (BAG), com quase 40 mil tipos diferentes de soja guardados e com todo o material multiplicado e viável para plantio. "Os transgênicos são uma tendência de mundo e vieram em um primeiro momento veio como alternativa para facilitar manejo de plantas daninhas, mas vamos evoluir mais. De repente, adaptar essa soja para condições mais adversas de produção, como possibilidade para um futuro cenário de mudança climática, com condições mais inóspitas. As duas tecnologias, transgênico e convencional, vão continuar persistindo", explica Farias.

Recursos
A Embrapa Soja leva até 13 anos em pesquisas para lançar produtos no mercado, o que gera grandes gastos em pesquisa. Por isso, conta com parceiros privados em todo o País para dividir o ônus e o bônus dos resultados. "Se tivéssemos R$ 1 para cada hectare de soja plantado, teríamos um dinheiro formidável para pesquisa, mas há restrições típicas de instituições públicas, como não podermos fazer propaganda, o que atrapalha não só o resultado como a divulgação", diz Farias. "Não seria má ideia se o agronegócio cedesse um percentual desse volume de recursos que arrecada à pesquisa, como ocorre nos Estados Unidos, no Uruguai e na Argentina", sugere Dall'Agnol.

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