Futuro da geração de cultivares no Brasil
A economia com uso de sementes próprias ou com as piratas, que são em média 50% mais baratas, é inspirada em uma visão imediatista e pode levar a uma desestruturação do setor de sementes no Brasil. A avaliação é do pesquisador Francisco Krzyzanowski, da equipe de sementes da Embrapa Soja.
Um comunicado da Sociedade Brasileira de Melhoramento Vegetal também mostra a preocupação da entidade com as conseqüências a médio e longo prazo. Segundo o comunicado, o avanço rápido da informalidade representa um grande risco de desestabilização da indústria nacional de sementes, podendo levar à diminuição dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, já que a remuneração pela propriedade intelectual não está sendo repassada aos obtentores de cultivares.
Outro risco que o agricultor corre ao plantar semente pirata ou o grão de baixa qualidade é o comprometimento de seu próprio avanço tecnológico. As novas cultivares lançadas resultam, em média, num aumento de 1,5% de produtividade sobre as cultivares do ano anterior que estão no mercado, explica José Francisco Ferraz de Toledo, líder da equipe de melhoramento genético da Embrapa Soja.
A desestruturação das empresas produtoras de semente, que apoiam as instituições geradoras de cultivares, como a Embrapa, Coodetec, entre outras, também tem implicações no processo de transferência de tecnologia. O produtor de semente é um parceiro muito importante no processo de validação e transferência de tecnologia. Ele é altamente tecnificado, domina todo o processo de manejo da cultura e leva para o agricultor informações importantes para conduzir bem a sua lavoura. Além disso, por estar muito próximo do produtor, retroalimenta a pesquisa com demandas precisas do mercado , destaca Toledo.(R.L.)





